O que é marquise: a laje da fachada, a lapidação da joia e a grafia
O que é marquise é pergunta com duas respostas boas, uma na obra e outra na joalheria, e uma grafia só, que o corretor de texto insiste em trocar pela versão com z.
Um síndico de Copacabana, no Rio, recebeu em abril uma notificação da prefeitura exigindo laudo de estabilidade da marquise do prédio, e a primeira coisa que fez foi procurar no grupo do condomínio o que era isso. Três moradores responderam três coisas: a lona da entrada, a laje que avança sobre a rua e a sacada do primeiro andar. Só o segundo estava certo, e o laudo, feito por engenheira, achou a armadura da laje corroída por trinta anos de infiltração e uma jardineira de concreto que ninguém sabia quem tinha posto.
Responder o que é marquise pede contexto. Na construção, é a laje ou cobertura que avança da fachada de um edifício sobre a calçada ou a entrada, presa só pela base, sem coluna na ponta, para proteger quem passa da chuva e do sol. Já na joalheria é um tipo de lapidação de pedra em forma de barco, com duas pontas, também chamada navete. Nos dois casos a palavra se escreve com s, marquise, e vem do francês, onde nomeava o toldo sobre a porta das casas nobres.
Este texto mostra os dois sentidos e a origem comum. Traz o que faz uma marquise de prédio ser diferente de uma sacada e de um toldo, por que ela cai, o que as leis das grandes cidades exigem, a lapidação da joia, a grafia, os erros comuns e as dúvidas frequentes.
Aqui estão os sentidos, a origem, a laje em balanço e a tabela comparativa. Entram os riscos, as leis, a joia, a grafia, os erros, a ordem para o síndico e as perguntas.
O que é marquise na construção
É uma estrutura em balanço: uma laje de concreto armado que sai da parede da fachada e fica no ar, sustentada só pelo engaste na viga do prédio, como uma prancha de piscina presa numa ponta. Por isso ela não tem pilar na extremidade, e por isso qualquer peso extra na ponta, como jardineira, placa de loja, caixa de ar-condicionado ou cobertura de telha, multiplica o esforço no engaste. Marquises vieram com os prédios das décadas de 1930 a 1970, em cidades como Rio, Recife, Belo Horizonte e São Paulo, e a maioria tem mais de cinquenta anos. A de Copacabana tinha sessenta e dois.
A cobertura da entrada era de lona; o que a prefeitura queria ver era concreto.
Marquise, sacada e toldo
Os três protegem da chuva e os três avançam da fachada, e é aí que a confusão do grupo do condomínio nasceu. A sacada, ou varanda, é piso de uso: alguém pisa nela, e ela pertence a um apartamento. Já a marquise é cobertura de uso coletivo: ninguém deveria pisar, e ela pertence ao condomínio e protege o passeio público. O toldo é lona ou policarbonato sobre estrutura metálica leve, removível, e não precisa de laudo estrutural. A prefeitura só notifica o segundo caso, porque é o que cai sobre pedestre.
Outra palavra de vistoria e laudo que confunde na hora de escrever é tratada no texto sobre o significado de incineração, que resolve a grafia com c e o uso em documento de hospital e de prefeitura. A lógica de saber o que a palavra nomeia antes de assinar o papel é a mesma.
Comparativo entre as três estruturas
| Estrutura | O que é | Quem responde |
|---|---|---|
| Marquise | Laje engastada, em balanço sobre o passeio. | O condomínio, com laudo periódico. |
| Sacada | Piso de uso privativo que avança da fachada. | O dono da unidade e o condomínio. |
| Toldo | Lona ou policarbonato sobre estrutura leve. | Quem instalou, sem laudo estrutural. |
| Pergolado | Cobertura vazada apoiada em pilares. | Quem construiu, com alvará. |
Por que a marquise cai
Quase sempre por corrosão da armadura. A água da chuva empoça na laje, infiltra pelas fissuras, chega ao ferro e o enferruja; o ferro enferrujado incha, estoura o concreto por dentro e perde seção até não segurar o próprio peso. O processo leva décadas e não aparece por baixo até estar avançado. Vem depois a sobrecarga na ponta, e por fim a reforma que corta a laje para passar tubulação. Quedas em Recife, no Rio e em Salvador entre 2009 e 2019 tiveram as três causas juntas, e mataram pedestres.
O que as leis exigem
Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e outras capitais têm lei municipal de autovistoria. Ela obriga o condomínio a apresentar laudo técnico de marquise a cada período, em geral de três a cinco anos, assinado por engenheiro ou arquiteto registrado. Esse laudo verifica fissuras, armadura exposta, impermeabilização, escoamento da água e cargas indevidas. Sem o laudo, o condomínio recebe multa e, em caso de acidente, responde civil e criminalmente. Foi essa lei que gerou a notificação de Copacabana.
A marquise na joalheria
Na lapidação de pedras, marquise é o corte alongado de pontas afiladas, parecido com um barco visto de cima ou com um olho, também chamado navete. A lenda diz que Luís XV encomendou o formato para lembrar o sorriso da marquesa de Pompadour, e daí o nome. É um corte que faz a pedra parecer maior que o peso em quilates e alonga o dedo em anel. Diamante, safira e esmeralda aparecem em lapidação marquise, e o vendedor de joalheria usa a palavra com a mesma grafia da obra, com s.
Tropeços de quem escreve e de quem administra
O erro mais comum na escrita é marquize, com z, sugerido pelo corretor e sem apoio em dicionário nenhum. Vem depois chamar a sacada de marquise em ata de condomínio. Segue, na administração, achar que a lona da entrada é o que a prefeitura quer ver. Fecha a lista pôr jardineira, placa ou ar-condicionado na ponta da laje. O primeiro custa uma correção; os outros custam multa, ou uma vida.
Em ordem, para o síndico
- Identificar na fachada a laje engastada que avança sobre o passeio.
- Conferir na lei municipal o prazo do laudo de autovistoria.
- Contratar engenheiro ou arquiteto registrado para o laudo.
- Retirar da laje toda carga que não seja dela: jardineira, placa, aparelho.
- Refazer a impermeabilização e o escoamento antes que a próxima chuva entre.
O passo quatro foi o que achou a jardineira que ninguém sabia quem tinha posto.
A grafia e a origem
A palavra chegou do francês marquise, que nomeava tanto a esposa do marquês quanto o toldo armado sobre a porta ou a barraca de campanha de um oficial. O sentido de cobertura passou ao português no século dezenove com os prédios de inspiração francesa. A grafia é com s, e o plural é marquises. A forma marquize, com z, não existe; a confusão vem do som da letra entre vogais, que é o mesmo nas duas grafias. Marquês e marquesa, os títulos, também são com s.
Perguntas frequentes sobre a palavra
O que é marquise num prédio?
A laje de concreto que avança da fachada sobre a calçada, presa só pela base, para proteger quem passa. Pertence ao condomínio e exige laudo periódico.
Marquise ou marquize?
Marquise, com s. A forma com z não existe em dicionário; o francês, de onde a palavra veio, usa a mesma letra.
Marquise e sacada são a mesma coisa?
Não. Sacada é piso privativo de um apartamento; marquise é cobertura coletiva sobre a calçada, onde ninguém deveria pisar.
Por que a marquise precisa de laudo?
Porque é estrutura em balanço, envelhece por corrosão e cai sobre pedestre. As leis municipais exigem laudo a cada três a cinco anos.
O que é lapidação marquise?
Um corte de pedra alongado e pontudo nas duas extremidades, também chamado navete. Faz a pedra parecer maior que o peso.
Pode colocar ar-condicionado na marquise?
Não deveria. Qualquer carga na ponta da laje multiplica o esforço no engaste e é uma das três causas de queda.
Resumo
O que é marquise tem duas respostas: na obra, a laje engastada que sai da fachada sobre o passeio, coletiva, sem pilar na ponta e sujeita a laudo periódico; na joalheria, a lapidação em forma de barco também chamada navete. A grafia é com s nos dois casos. A marquise cai por corrosão, sobrecarga e reforma mal feita, e o síndico de Copacabana descobriu as três no mesmo laudo, junto com uma jardineira sem dono.

