Otimizar ou optimizar: o p que caiu no Brasil e ficou em Portugal
Otimizar ou optimizar é dúvida de relatório, de anúncio e de manual de software, e a resposta depende de que lado do Atlântico o texto foi escrito.
Um gerente de marketing de Florianópolis recebeu em maio a proposta de uma agência de Lisboa com a frase "vamos optimizar a campanha" no resumo executivo, e devolveu o documento com a palavra sublinhada, achando que era erro de digitação. Os lisboetas responderam que era grafia portuguesa, ainda comum por lá, embora a norma também tenha mudado. O gerente pediu a versão brasileira e recebeu o mesmo texto com uma letra a menos. A campanha era a mesma; a palavra é que tinha duas roupas.
Entre otimizar ou optimizar, a forma correta no Brasil é otimizar, sem o p, e é assim desde muito antes do acordo ortográfico: a reforma de 1943 já tinha retirado as letras que não se pronunciam, e o brasileiro nunca disse esse p. Optimizar, com a consoante, era a grafia de Portugal e dos países africanos de língua portuguesa até o acordo de 1990 entrar em vigor por lá, em 2009. Hoje a forma oficial é uma só nos dois países, mas o hábito lusitano ainda aparece em texto de agência, de software e de manual traduzido.
Este texto mostra por que o p sumiu e por que ele resistiu tanto tempo em Portugal. Traz os parentes da palavra, de ótimo a otimização, a regra das letras mudas, os casos em que a consoante fica porque é pronunciada, o uso em informática e em marketing, os erros comuns, um jeito de memorizar e as dúvidas frequentes.
Aqui estão a grafia certa, a origem latina, a reforma de 1943 e a tabela comparativa. Entram os parentes, as letras que ficam, o uso técnico, os erros, a ordem para revisar, a memorização e as perguntas.
Otimizar ou optimizar: a regra da consoante muda
A palavra vem do latim optimus, o melhor, e o p estava lá na origem. Em português, essa letra nunca foi pronunciada: ninguém diz óp-timo, todo mundo diz ó-timo. A reforma brasileira de 1943 adotou o critério de escrever como se fala e apagou o que só existia no papel, e desde então o Brasil escreve ótimo, otimizar, ação, direção e adotar. Portugal manteve a grafia etimológica por mais 66 anos, com óptimo, optimizar, acção, direcção e adoptar, até o acordo ortográfico aplicar a mesma regra do lado de lá. Em Florianópolis, o gerente estava certo sobre a grafia e errado sobre o motivo: não era tecla trocada, era outra norma, já revogada.
Os lisboetas escreviam como aprenderam; a norma de lá mudou em 2009 e o hábito ficou.
Os parentes da palavra
Otimizar é verbo derivado de ótimo, o superlativo de bom, e significa tornar o melhor possível, tirar o máximo de algo com o mínimo de recurso. Da mesma raiz saem otimização, o ato de otimizar; otimizado, o particípio; otimizador, quem ou o que otimiza; e otimismo e otimista, que são a atitude de esperar o melhor. Todas sem a consoante no Brasil, todas com ela na grafia portuguesa antiga. Quem vê "optimização" num manual de impressora pode ter certeza de que a tradução foi feita em Portugal antes de 2009, ou por alguém que aprendeu naquela época.
Outra palavra de texto técnico que precisa de definição clara antes de o trabalho começar é tratada no texto sobre o que é um esboço, que resolve o sentido no desenho, na escrita e no projeto. A lógica de fechar o rascunho antes da versão final é a mesma de conferir a grafia antes de mandar a proposta.
Comparativo entre as duas grafias
| Forma | Onde valeu | Hoje |
|---|---|---|
| Otimizar | No Brasil, desde 1943. | Forma oficial em todos os países. |
| Optimizar | Em Portugal e na África, até 2008. | Grafia antiga, ainda vista em texto lusitano. |
| Otimização | Segue o verbo, sem o p. | Forma oficial. |
| Óptimo | Portugal, até 2008. | Ótimo, nos dois países. |
As letras que ficam
A regra apaga a consoante muda, não toda consoante dupla. Quando o p, o c ou o b são pronunciados, eles ficam: apto, rapto, pacto, compacto, ficção, convicção, ritmo, egípcio. O critério é o som, e a mesma palavra pode variar entre os dois países quando a pronúncia varia: recepção e receção, fato e facto, aspecto e aspeto, cada uma correta no seu lado. Em otimizar não há variação porque nenhum falante de português, de nenhum país, pronuncia o p de ótimo. A letra caiu para todos.
O uso em informática e em marketing
Otimizar virou palavra de ofício em duas áreas. Na informática, otimizar um programa é fazê-lo rodar mais rápido ou com menos memória, e otimização de código, de banco de dados e de imagem são tarefas com nome próprio. No marketing, otimizar uma campanha é ajustar orçamento, público e anúncio até o resultado melhorar, e a sigla SEO, otimização para mecanismos de busca, carrega a palavra no nome. Foi nesse sentido que a agência usou o verbo, e a grafia chamou atenção num texto que o gerente ia assinar.
Por que o p resistiu em Portugal
Portugal preferiu, por décadas, a grafia que mostra a origem latina da palavra, mesmo quando a letra não soava. O argumento era de tradição e de proximidade com o francês e o inglês, que escrevem optimiser e optimize. O acordo só entrou em vigor por lá em 2009, com transição até 2015, e parte da imprensa e das editoras resistiu até depois disso. Um texto português de hoje pode trazer optimizar sem ser erro de quem escreveu: é escolha de quem não aderiu, embora fora da norma oficial.
Tropeços de proposta e de manual
O erro mais comum é optimizar em texto brasileiro, copiado de fonte portuguesa ou de tradução antiga de software, como no resumo executivo de Florianópolis. Vem depois a hipercorreção inversa, que apaga letra pronunciada por analogia: escrever ato onde a palavra era apto, ou fição no lugar de ficção. Segue misturar as duas grafias no mesmo documento, otimizar num parágrafo e optimização no seguinte. Fecha a lista corrigir o texto de um autor português achando que ele errou, quando ele apenas escreveu na norma antiga.
Em ordem, para revisar um texto
- Achar a consoante em dúvida: p, c ou b antes de outra consoante.
- Ler a palavra em voz alta e ouvir se a letra soa.
- Se não soa, apagar: otimizar, ótimo, ação, adotar.
- Se soa, manter: apto, pacto, ficção, ritmo.
- Conferir se o documento inteiro segue a mesma norma, sem mistura.
O passo dois foi o que o gerente fez sem perceber, ao estranhar uma letra que não ouvia.
Como memorizar
Um truque é a palavra mãe: se ótimo não tem p, otimizar também não, e os parentes seguem o mesmo caminho. Outro é a pergunta do som: letra que não se ouve não se escreve. E há o calendário: o p nessa palavra é grafia portuguesa de antes de 2009, e um texto assim veio de Portugal ou de manual velho. Três lembretes cobrem proposta, manual e anúncio.
Perguntas frequentes sobre a grafia
Otimizar ou optimizar: qual é o certo?
Otimizar, sem o p, é a forma oficial no Brasil desde 1943 e em Portugal desde 2009. A consoante não é pronunciada e não se escreve.
Optimizar está errado?
Na norma atual, sim. Era a grafia correta em Portugal e nos países africanos até 2008 e ainda aparece em texto de quem não aderiu ao acordo.
Otimização tem p?
Não. Segue o verbo: otimização, otimizado, otimizador. Na grafia portuguesa antiga, todas levavam a consoante.
Por que apto tem p e ótimo não?
Porque em apto o p é pronunciado e em ótimo não. A regra apaga só a consoante muda.
De onde vem a palavra?
De optimus, o melhor em latim, superlativo de bonus. Ótimo, otimizar e otimismo saem da mesma raiz.
E em inglês e francês?
Optimize e optimiser mantêm o p porque nessas línguas ele é pronunciado. Em português, não é, e caiu.
Resumo
Otimizar ou optimizar se resolve pelo som: o p de ótimo nunca foi pronunciado em português, e o Brasil o apagou em 1943, seguido por Portugal em 2009. Vinda de optimus, a palavra puxa parentes inteiros sem a consoante, de otimização a otimista, que fica só quando soa, como em apto e pacto. Na proposta de Lisboa não havia tecla trocada, havia grafia antiga, e o gerente de Florianópolis recebeu a mesma campanha com uma letra a menos.

