Valor por extenso no cheque: as regras, os erros e como conferir
Valor por extenso no cheque segue regra própria: centavos escritos, vírgula no lugar certo, linha preenchida até o fim e o extenso prevalece sobre o número em caso de divergência.
O cheque ainda circula em cartório, em compra de imóvel, em pagamento de aluguel e em muita loja do interior, e o campo que mais dá problema continua sendo o mesmo de trinta anos atrás: a linha do extenso. Um "mil e quinhentos" escrito como "um mil e quinhentos", um "oitenta reais" sem os centavos, um espaço em branco no fim da linha, e o banco devolve ou o cartório recusa. O valor por extenso no cheque tem regras de gramática e de segurança que pouca gente aprendeu de forma organizada, e este texto reúne todas elas.
Aqui estão as normas para escrever os números em português, como ficam os reais e os centavos, o que a lei do cheque diz quando o número e o extenso não batem, os erros que mais causam devolução e como checar tudo antes de assinar. Traz um comparativo de valores escritos certo e errado, um passo a passo de preenchimento, o que muda em recibo e promissória, e as dúvidas mais comuns de quem preenche um cheque uma vez por ano e trava na hora de escrever.
Valor por extenso no cheque: por que ele manda
A lei que rege o cheque, de 1985, diz que, se o valor em algarismos e o valor por extenso divergirem, vale o extenso. Se houver mais de um extenso e eles divergirem, vale o menor. A regra existe porque o número é fácil de alterar, bastando acrescentar um zero, e a escrita por extenso é o que protege quem emite. Na prática, é o extenso que o caixa lê, é ele que o cartório confere e é ele que decide qualquer disputa. O número, no canto do cheque, é apoio.
Por isso o cuidado maior vai para a linha escrita, e não para os algarismos. Errar o número e acertar o extenso costuma passar; errar o extenso quase sempre devolve, e devolve com tarifa cobrada de quem emitiu.
O mesmo princípio vale para recibo, nota promissória e contrato: quando as duas formas aparecem, a escrita por extenso é a que conta. Em contrato de aluguel e de compra e venda, o valor por extenso costuma vir entre parênteses depois do número, e é a forma que o juiz lê se houver disputa.
Como conferir antes de entregar
O erro mais comum não é de gramática, é de distração: escrever o extenso de um valor e o número de outro, ou pular uma casa. A checagem que funciona é escrever o valor num conversor e comparar letra por letra com o que está no cheque. Um conversor de número por extenso devolve o valor já no formato de reais e centavos, com "e" nos lugares certos e o plural correto, e serve tanto para preencher quanto para conferir um cheque recebido antes de aceitar.
Vale olhar também o que vem antes e depois: a data, o nome do beneficiário e a assinatura igual à do banco. O extenso certo com assinatura diferente devolve do mesmo jeito.
Quem emite muitos cheques costuma imprimir o extenso, o que elimina o erro de grafia, mas exige conferir se a impressão saiu inteira e legível. Impressora falhando no meio da linha já devolveu cheque de empresa grande por "extenso incompleto".
Comparativo entre escrita certa e errada
| Valor | Errado | Certo |
|---|---|---|
| R$ 1.200,00 | um mil e duzentos reais | mil e duzentos reais |
| R$ 150,50 | cento e cinquenta e cinquenta | cento e cinquenta reais e cinquenta centavos |
| R$ 2.000,00 | dois mil e reais | dois mil reais |
| R$ 1.000.000,00 | um milhão reais | um milhão de reais |
| R$ 0,75 | zero reais e setenta e cinco | setenta e cinco centavos |
| R$ 301,00 | trezentos e um real | trezentos e um reais |
Como preencher, em ordem
- Escrever o valor em algarismos no campo do canto, com vírgula e duas casas de centavos.
- Escrever o extenso começando no início da linha, sem espaço antes da primeira palavra.
- Terminar com "reais" ou "centavos", e preencher o resto da linha com um traço até o fim.
- Escrever o nome do beneficiário completo, sem abreviação, e a data por extenso ou em números.
- Assinar igual ao cartão de assinatura do banco e conferir tudo antes de destacar.
O passo três é o que mais protege: a linha sem traço no fim permite que alguém acrescente "mil" depois de "duzentos reais", e a fraude por acréscimo é a mais antiga que existe no cheque.
Como os números se escrevem em português
Em português, o "e" liga as centenas às dezenas e as dezenas às unidades: cento e vinte e três. Entre milhar e centena, o "e" entra só quando a centena termina em zero ou é uma dezena solta: mil e trezentos, mil e cinquenta, dois mil e cem. Quando há centena cheia depois do milhar, não entra: dois mil quatrocentos e vinte. "Um mil" não existe; é "mil". Milhão, bilhão e trilhão pedem "de" antes de "reais" quando vêm sozinhos: um milhão de reais, dois bilhões de reais; com centena ou milhar depois, não: um milhão e duzentos mil reais. Os numerais concordam: duzentos reais, duzentas pessoas.
Centavo é masculino e vai no plural de dois em diante: um centavo, dois centavos. Real vira reais na mesma regra, e "um real" fica no singular.
Reais e centavos juntos
Quando há reais e centavos, o "e" liga os dois blocos: duzentos e dez reais e trinta centavos. Quando o valor é só de centavos, não se escreve "zero reais": noventa centavos. Quando os centavos são zero, não se escreve "e zero centavos", embora alguns bancos aceitem; o padrão é terminar em "reais" e fechar a linha com traço. Valores com um único centavo ficam "e um centavo". E o cifrão não entra no extenso, que é só palavras.
Quem esquece o "reais" no meio, como em "duzentos e dez e trinta centavos", cria ambiguidade, e o banco pode devolver por extenso ilegível.
Os erros que devolvem o cheque
Rasura no extenso, mesmo pequena, devolve. Extenso diferente do número, quando o banco não aplica a regra legal e prefere devolver por divergência. Linha em branco no fim, que alguns bancos recusam por segurança. Abreviação, como "R$" ou "c/" no meio do extenso. Palavra ilegível, letra que pode ser lida de dois jeitos e valor escrito em outra língua. E o erro clássico de trocar a ordem, escrevendo os centavos antes dos reais. Cada um deles custa uma devolução, uma tarifa e a volta ao começo.
Cheque devolvido duas vezes por falta de fundos vai para o cadastro de emitentes sem fundos; devolvido por preenchimento errado, não, mas o pagamento atrasa do mesmo jeito. O motivo da devolução vem num código no verso, e o 31 e o 35 são os de erro de preenchimento e rasura.
Perguntas frequentes sobre o preenchimento
Valor por extenso no cheque vale mais que o número?
Sim. Pela lei de 1985, em caso de divergência, vale o extenso. Entre dois extensos diferentes, vale o menor dos dois valores.
Como escrever mil reais?
"Mil reais", sem o "um" antes. "Um mil" está errado em português, embora apareça em muito cheque.
Preciso escrever "e zero centavos"?
Não. Termina em "reais" e fecha a linha com traço. Alguns bancos aceitam o "zero centavos", mas não é o padrão e só gasta espaço.
Posso abreviar?
Não. Nenhuma abreviação no extenso, nem "R$", nem "c/", nem "mi". Só palavras inteiras, em português.
E se eu errar?
Não rasurar. Anular o cheque escrevendo "cancelado" sobre ele, guardar a folha anulada e preencher outro.
Como conferir um cheque que recebi?
Comparar número e extenso, ver se a linha está fechada, se o nome está completo e se a assinatura confere. Um conversor ajuda a checar o extenso letra por letra antes de aceitar o pagamento.
Resumo
Valor por extenso no cheque é o que vale em caso de divergência, e por isso merece mais cuidado que o número. As regras de escrita são poucas: "e" entre centena, dezena e unidade, "mil" sem o "um", "de reais" depois de milhão sozinho, plural de dois em diante, centavos ligados por "e" e nada de abreviação. A linha começa no início e fecha com traço, a rasura anula, e a checagem com um conversor antes de assinar ou de aceitar evita a devolução que custa tarifa e tempo.


