Quem paga a conta do boom da IA?
O frenesi com Inteligência Artificial é generalizado, mas, ao menos por ora, os ganhos tangíveis estão bastante concentrados na cadeia de fornecimento, com destaque para a Nvidia. Se alguém está faturando alto…
O frenesi com Inteligência Artificial é generalizado, mas, ao menos por ora, os ganhos tangíveis estão bastante concentrados na cadeia de fornecimento, com destaque para a Nvidia.
Se alguém está faturando alto com isso, outro alguém deve estar pagando a conta. Aquilo que é receita na veia para as fornecedoras se traduz em capex para as chamadas “hyperscalers” – provedoras de data centers em cloud, cujos fluxos de caixa antes previsíveis e crescentes passaram a ser bem mais voláteis, e até mesmo negativos.
No entanto, essa é uma simplificação conveniente da história, que impede de capturar nuances importantes. Ao abrirmos o leque das hyperscalers nome a nome, identificamos um problema mais crônico de cash burn para a Oracle, mas não podemos cravar conclusões precipitadas em relação às demais.
A Microsoft, embora criticada por estar “perdendo o bonde da AI” para concorrentes, vem cultivando seu fluxo de caixa livre de maneira exemplar. Aproximadamente o mesmo vale para a Meta, embora sob perfil mais agudo de volatilidade.
Quanto ao Google, é verdade que deu uma embicada para baixo recentemente – o que pesou no papel após o segundo trimestre de 2026. Todavia, ainda podemos argumentar que a empresa está administrando um canal lateralizado de geração de caixa. Nesse sentido, seu próximo trimestre seria bem importante para diferenciarmos o respeito versus rompimento do canal.
Por fim, a Amazon é a grande montanha russa da amostra, trabalhando com vales e picos intensos, mas, ainda assim, aderente a sua média histórica de caixa neutra no acumulado.
À exceção da Oracle, não temos qualquer motivo presente para questionar o investimento secular em hyperscalers. O caso da Microsoft nos parece o mais curioso, combinando geração de caixa bem comportada com uma queda de 23% do papel nos últimos 12 meses. Não à toa, a MSFT está com classificação “excepcional” na Carteira de Ações Internacionais da Empiricus.