O que é curtume: a fábrica de couro, as etapas, as cidades e a grafia
O que é curtume é pergunta que aparece em prova de geografia, em edital ambiental e em placa de estrada no Sul, e a resposta é uma fábrica que transforma pele em couro.
Um aluno do nono ano de Estância Velha, no Rio Grande do Sul, recebeu em abril um trabalho de geografia sobre a economia da cidade e escreveu na primeira linha que o município vivia de cortumes, com o. A professora circulou a palavra e devolveu com uma pergunta: o que é curtume, afinal? Ele morava a duas quadras de um, sentia o cheiro toda manhã, e não sabia dizer o que acontecia lá dentro além de "coisa de couro". O trabalho virou uma visita à fábrica e um texto de três páginas.
Responder o que é curtume é descrever uma fábrica: é o estabelecimento onde a pele crua de boi, cabra, ovelha ou outro animal é transformada em couro, um material que não apodrece, não endurece e aguenta anos de uso. O processo se chama curtimento; o profissional, curtidor. A palavra vem do verbo curtir, que antes de significar gostar de alguma coisa significava preparar a pele com tanino ou sal para que durasse, e por isso se escreve com u: curtume, curtir, curtimento, curtido.
Este texto mostra o que acontece dentro do curtume, etapa por etapa. Traz os dois métodos de curtir, as cidades brasileiras que vivem do setor, o peso ambiental e as exigências da lei, a origem da palavra e os outros sentidos de curtir, os erros de escrita, um jeito de memorizar e as dúvidas frequentes.
Aqui estão o significado, o processo, os tipos de curtimento e a tabela comparativa. Entram as cidades, o meio ambiente, a grafia, os erros, a ordem para visitar ou escrever, a memorização e as perguntas.
O que é curtume e o que acontece lá dentro
A pele chega salgada do frigorífico e passa por três blocos de operações. Na ribeira, o primeiro bloco, a pele é lavada, perde o sal, o pelo e a carne, e fica limpa e inchada em grandes tambores de madeira ou aço. Vem depois o curtimento propriamente dito, em que ela recebe um agente que se liga às fibras e impede a decomposição. Por fim, o acabamento: tingir, engraxar, prensar, lixar e cortar no tamanho que o cliente pede. Entre a pele salgada e o couro pronto passam de cinco a vinte dias. O aluno viu os tambores girando e entendeu o cheiro.
Ele achava que o cheiro era de couro. Era da pele antes de virar couro.
Os dois tipos de curtimento
O curtimento vegetal usa tanino, extraído de casca de acácia, quebracho ou castanheiro, e leva semanas; rende couro firme, marrom, usado em sola, sela, cinto e artigo de luxo. O curtimento mineral usa sais de cromo, leva horas e rende o couro macio e azulado chamado wet blue, que depois recebe cor e é usado em calçado, estofado e vestuário. Mais de 80% do couro do mundo é curtido ao cromo. Há ainda métodos mistos e o curtimento a óleo, raro, que produz a camurça.
Outra palavra que tem mais de um sentido e confunde em prova e em documento é tratada no texto sobre os sentidos de gabarito, que explica por que a mesma palavra serve para a resposta da prova, a altura do prédio e o molde da oficina. A lógica de olhar o contexto antes de responder é a mesma.
Comparativo entre os curtimentos
| Método | Agente e tempo | Couro e uso |
|---|---|---|
| Vegetal | Tanino de casca de árvore; semanas. | Firme e marrom; sola, sela, cinto. |
| Mineral ao cromo | Sais de cromo; horas. | Macio e azulado; calçado, sofá, roupa. |
| Misto | Cromo e depois tanino ou sintético. | Meio-termo; bolsa e cabedal fino. |
| A óleo | Óleos de peixe; dias. | Camurça; luva e pano de limpeza. |
As cidades que vivem do curtume
O Brasil está entre os maiores produtores de couro do mundo, porque tem o maior rebanho comercial de bovinos, e o setor se concentra em polos. No Rio Grande do Sul, o Vale do Sinos, com Novo Hamburgo, Estância Velha e Portão, cresceu em torno dos curtumes e das fábricas de calçado desde o século dezenove. Em São Paulo, Franca é a capital do calçado masculino e tem curtumes ao redor. Já em Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul e Bahia, os curtumes ficam junto aos frigoríficos e exportam wet blue. Ele descobriu que a cidade dele tinha mais de trinta.
O peso ambiental e a lei
Curtume usa muita água e produz efluente com sal, sulfeto, cromo e matéria orgânica, e por isso é atividade licenciada com exigência de estação de tratamento própria. Já o lodo com cromo vai para aterro industrial, e as normas fixam limite de cromo na água que sai. Os polos do Sul viveram décadas de rio poluído até as estações se tornarem obrigatórias, e hoje a licença ambiental é o documento mais fiscalizado do setor. O cheiro, que vem do sulfeto e da pele em processo, é o que a vizinhança mais reclama.
A origem da palavra e os sentidos de curtir
Curtir vem do latim e, no português antigo, significava preparar, endurecer, fazer durar: curtir o couro, curtir a azeitona na salmoura, curtir a dor. Daí saíram curtume, o lugar, e curtidor, o profissional. O sentido moderno de gostar, aproveitar, curtir uma festa, apareceu no século vinte pela ideia de suportar algo por muito tempo até tomar gosto. A grafia é sempre com u na primeira sílaba: curtume, e não cortume, que é erro comum por influência de corte e de couro. O plural é curtumes.
Tropeços de prova e de placa
O erro mais comum é cortume, com o, em trabalho escolar, placa de estrada e até em nome de empresa antiga. Vem depois confundir curtume com frigorífico, que é onde o animal é abatido e a pele sai salgada. Segue chamar de couro a pele crua, que ainda apodrece. Fecha a lista escrever curtidor como cortidor. O primeiro custou a devolução do trabalho do aluno; os outros aparecem em texto de jornal.
Em ordem, para escrever ou visitar
- Lembrar o verbo curtir, com u, e dele tirar curtume, curtimento e curtidor.
- Separar as três fases: ribeira, curtimento e acabamento.
- Identificar o método: vegetal para sola e sela, cromo para calçado e estofado.
- Conferir se o curtume tem licença ambiental e tratamento de efluente.
- Diferenciar pele crua, que apodrece, de couro curtido, que dura.
O passo dois foi o que rendeu as três páginas do trabalho do aluno.
Como memorizar
Um truque é o verbo: curtir o couro é o mesmo curtir de curtir uma música, e ninguém escreve cortir. Outro é a família: curtume, curtimento e curtidor começam iguais, com curt. E há o cheiro: quem passou perto de um curtume lembra que o cheiro é da pele em tratamento, não do couro pronto, e essa diferença é a definição inteira da fábrica. Três lembretes cobrem prova, placa e texto de jornal.
Perguntas frequentes sobre a fábrica
O que é curtume de couro?
A fábrica onde a pele animal, salgada, é limpa, curtida com tanino ou cromo e acabada até virar couro, material que não apodrece e dura anos.
Curtume ou cortume?
Com u, curtume, do verbo curtir. Cortume é erro por influência de corte e couro.
Qual a diferença entre curtume e frigorífico?
O frigorífico abate o animal e vende a pele com sal; o curtume compra essa pele e a transforma em couro.
O que é wet blue?
É o couro curtido ao cromo, ainda úmido e azulado, antes de receber cor e acabamento. É o principal produto exportado pelos curtumes brasileiros.
Curtume polui?
Usa muita água e gera efluente com cromo e sulfeto, por isso precisa de licença ambiental e tratamento próprio.
Onde ficam os curtumes no Brasil?
No Vale do Sinos, no Sul, em Franca, no interior paulista, e ao lado dos frigoríficos de Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Resumo
O que é curtume se responde com a fábrica: o lugar onde a pele salgada passa por ribeira, curtimento e acabamento até virar couro, com tanino para sola e sela ou com cromo para calçado e estofado. O Brasil tem polos no Sul, em Franca e junto aos frigoríficos do Centro-Oeste, e a atividade exige licença e tratamento de efluente. A palavra vem de curtir, com u, e cortume é erro. O aluno de Estância Velha morava a duas quadras de um e só entendeu o cheiro depois de entrar.

