Clarity Act volta ao radar e pode impulsionar cripto em 2026
O Bitcoin (BTC) apresentou melhora no preço na última semana, com fundos cada vez mais altos. No entanto, o movimento ainda não foi suficiente para superar a resistência dos US$ 66 mil…
O Bitcoin (BTC) apresentou melhora no preço na última semana, com fundos cada vez mais altos. No entanto, o movimento ainda não foi suficiente para superar a resistência dos US$ 66 mil e confirmar uma nova tendência de alta, mantendo o ativo em um regime de reversão à média.
Parte dessa dificuldade é atribuída à piora do ambiente macroeconômico. A volta do conflito no Oriente Médio reacendeu os temores de inflação e de juros mais altos por mais tempo, reduzindo o apetite dos investidores por ativos de risco.
Nos Estados Unidos, o debate regulatório voltou ao centro das atenções. A possível aprovação do Clarity Act permanece como um dos maiores gatilhos potenciais do ano para o mercado cripto, mas o projeto continua submetido a uma corrida contra o relógio. Nesta semana, o texto recebeu atualizações relevantes. Com o calendário legislativo se aproximando do recesso e a janela para votação cada vez mais estreita, os republicanos começam a colocar suas últimas cartas na mesa para reunir os votos necessários.
Petróleo e o risco de juros
A agenda macroeconômica dos últimos dias foi esvaziada, sem novos indicadores capazes de alterar a leitura do mercado. O principal ponto de atenção veio do petróleo, cuja alta voltou a alimentar os temores de inflação e de juros mais elevados.
Com a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz foi afetado. O impacto sobre os preços foi imediato: o barril de Brent saiu de US$ 71,6 no início de julho para aproximadamente US$ 94, uma valorização de cerca de 32% em três semanas.
A relação entre a alta do petróleo e o Bitcoin passa pela inflação e pelos juros. A energia mais cara eleva os custos de produção, transporte e distribuição das empresas, o que tende a ser repassado ao consumidor, pressionando a inflação. Uma inflação mais elevada amplia a discussão de juros mais altos por mais tempo, um ambiente desfavorável para ativos de risco como o Bitcoin.
Clarity Act como catalisador
O Clarity Act permanece como um dos principais candidatos a catalisador para os próximos meses. O texto procura remover uma das maiores barreiras à entrada de capital institucional no setor: a incerteza regulatória.
O interesse de grandes instituições como Goldman Sachs, JPMorgan, Visa, Mastercard e PayPal por ativos digitais já existe. O que limita a expansão dessas iniciativas é a ausência de uma divisão clara sobre quais regras se aplicam a cada ativo ou atividade nos Estados Unidos.
A proposta busca definir quais ativos digitais ficam sob supervisão da SEC, como valores mobiliários, e quais serão regulados pela CFTC, como commodities. Essa divisão determina as regras, licenças e obrigações aplicáveis às empresas. A falta de clareza hoje dificulta a mensuração do risco jurídico e leva muitas instituições a limitar sua atuação. O texto também trata da proteção de desenvolvedores de blockchain, das regras para rendimentos de stablecoins, do combate a atividades ilícitas e dos direitos dos clientes em caso de falência de uma corretora.
Negociações no Senado
O projeto segue travado porque os republicanos ainda não reuniram os votos necessários para avançar no Senado. O partido controla 53 das 100 cadeiras, mas precisa alcançar 60 votos para superar barreiras processuais. Mesmo com o apoio integral da bancada, será necessário conquistar pelo menos sete democratas.
As principais divergências estão nas regras de ética, proteção ao consumidor, combate a atividades ilícitas, conflitos de interesse e fiscalização das novas normas. A cláusula de ética ganhou peso diante do envolvimento de Donald Trump e de sua família com o mercado cripto.
Em sua declaração financeira de 2025, Trump informou mais de US$ 1 bilhão em receitas relacionadas a ativos digitais, principalmente por meio da World Liberty Financial e de projetos associados à sua imagem, incluindo a memecoin $TRUMP. O lançamento do token gerou ganhos para os negócios da família, mas também perdas para compradores que entraram após a valorização inicial.
Esse contraste ampliou o debate sobre o potencial conflito entre a atuação pública do presidente e seus interesses financeiros privados. Para responder a essa pressão, a Casa Branca e senadores republicanos negociaram uma cláusula que restringe a emissão ou o patrocínio de tokens por autoridades. A mudança foi incorporada à versão atualizada divulgada nesta semana, mas ainda não garantiu os votos necessários.