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IA versus Não-IA: o novo sex appeal dos mercados

O S&P 500 é negociado acima de 20 vezes os lucros, enquanto o Índice MSCI de Mercados Emergentes apresenta um múltiplo de aproximadamente 10 vezes. Segundo a análise, são raras as ocasiões…

IA versus Não-IA: o novo sex appeal dos mercados
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O S&P 500 é negociado acima de 20 vezes os lucros, enquanto o Índice MSCI de Mercados Emergentes apresenta um múltiplo de aproximadamente 10 vezes. Segundo a análise, são raras as ocasiões históricas em que uma métrica é o dobro da outra, como ocorre no cenário atual.

O texto, assinado por Rodolfo Amstalden, sócio-fundador e CEO da Empiricus, alerta para o cuidado com os rótulos tradicionalmente usados no mercado. Para ele, a dicotomia atual não é mais entre Bolsa americana e Emergentes, mas sim entre IA versus Não-IA.

Como sintoma dessa divisão, o autor cita que mercados emergentes com forte presença de tecnologia e crescimento, como Hong Kong, Índia e Taiwan, negociam a preço/lucro próximo de 20 vezes. Já praças como Argentina, Brasil, Filipinas e Turquia giram abaixo de 10 vezes.

Apesar da distância entre as duas categorias, Amstalden não recomenda uma troca tática simples de comprar o barato e vender o caro. Ele aponta que há motivos para manter IA na carteira e, ao mesmo tempo, usar o value investing emergente como proteção contra possíveis exageros na precificação da IA.

O autor menciona que esses exageros podem aparecer na margem. Com a escalada do custo dos empréstimos high grade nos EUA, agora vinculados também às hyperscalers, um simples aumento de juros pelo Federal Reserve pode ser o gatilho para reorganizar alocações táticas e estruturais.

No caso da América Latina, a tese não se limita a contrabalançar os riscos da IA. O investidor global pode buscar a região como hedge e ainda encontrar opcionalidades interessantes. O texto cita que o Brasil oferece uma combinação potencialmente atrativa, com graus de liberdade para afrouxamento monetário, um novo ciclo eleitoral e alguma melhoria fiscal.

Ainda que não haja garantias sobre a materialização desses fatores, o acúmulo de probabilidades tem valor por si só. O autor pondera que, apesar dos riscos de recessão e crise de crédito no país, esses são sintomas de esgotamento do modelo de expansionismo fiscal. A solução, segundo ele, pode surgir de dentro para fora, como aconteceu na Argentina.

Amstalden conclui que o Brasil não é atrativo de acordo com as novas regras da IA, mas pode retomar um “sex appeal à moda antiga”.

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