Notícias

Ibovespa cai com tarifaço dos EUA; Petrobras e Vale seguram índice

Os mercados globais operam sem direção definida nesta quarta-feira, em um pregão de baixa liquidez e ainda fortemente influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio. Os futuros de Nova York recuam…

Ibovespa cai com tarifaço dos EUA; Petrobras e Vale seguram índice
07

Os mercados globais operam sem direção definida nesta quarta-feira, em um pregão de baixa liquidez e ainda fortemente influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio. Os futuros de Nova York recuam e o petróleo avança quase 4%, com o Brent negociado ao redor de US$ 95 por barril, refletindo as crescentes ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb. A ausência de sinais concretos de negociação entre Estados Unidos e Irã, somada à continuidade dos ataques e às ameaças dos houthis, mantém elevados os riscos para o abastecimento global de energia.

Na Europa, as bolsas avançam, sustentadas pelas empresas dos setores de mineração, petróleo e gás, que compensam parcialmente a fraqueza das ações de tecnologia. Na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma tendência única, mas com tom predominantemente positivo: Coreia do Sul e Taiwan avançaram, enquanto Japão, Hong Kong e Shenzhen recuaram. Na agenda, os investidores dividem a atenção entre a temporada de resultados, a política comercial e as tensões geopolíticas. Alphabet, Tesla e IBM divulgam seus balanços após o fechamento, enquanto Donald Trump prepara novas tarifas sobre dezenas de países.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, aos 173.326 pontos, após recuperar parte das perdas acumuladas ao longo do dia. Petrobras (PETR4), que avançou 1,34% acompanhando a valorização do petróleo, e Vale (VALE3) ajudaram a limitar o movimento negativo em um pregão de baixa liquidez. O dólar recuou 0,32%, para R$ 5,07, sustentado pelo diferencial de juros favorável ao real, pela expectativa de uma balança comercial ainda robusta e pelo efeito positivo da alta do petróleo sobre os termos de troca do país. No ambiente corporativo, a Vale apresentou números operacionais robustos no segundo trimestre, enquanto a WEG (WEGE3) inaugura a temporada de resultados na B3.

No campo comercial, entrou em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros, embora carne e café tenham sido preservados. O governo ainda avalia sua resposta, priorizando a via da negociação e evitando, por ora, acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, enquanto os setores afetados intensificam os esforços de lobby em Washington. As exportações brasileiras para os Estados Unidos já recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, para US$ 17,4 bilhões, o menor nível histórico, ao mesmo tempo que avançaram os embarques destinados à China e à União Europeia. Além disso, Washington pode anunciar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sem que esteja claro se a cobrança será cumulativa às alíquotas já existentes.

Nos Estados Unidos, Wall Street voltou ao campo positivo, impulsionada pela recuperação das ações de tecnologia, especialmente das fabricantes de semicondutores. O Dow Jones avançou 0,7%, o S&P 500 subiu 0,9% e o Nasdaq ganhou 1,3%, enquanto os investidores relegaram a segundo plano as preocupações com a guerra envolvendo o Irã, mesmo com o petróleo negociado no maior nível em mais de um mês. O movimento refletiu tanto uma reação às quedas recentes quanto a expectativa pelos resultados das grandes empresas de tecnologia e por eventuais anúncios de novos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A temporada de balanços será decisiva para determinar se a alta representa o início de uma recuperação mais consistente ou apenas um movimento pontual. O otimismo também foi reforçado pela Super Micro Computer, cujas ações dispararam 20,5% no pós-mercado após a empresa elevar sua projeção de margem.

A guerra entre Estados Unidos e Irã chegou ao 11º dia sem sinais concretos de descompressão e já teria custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos, segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, cerca de 30% acima da estimativa anterior. O Pentágono solicita aproximadamente US$ 80 bilhões para financiar o conflito e recompor os estoques de armamentos, enquanto Donald Trump descarta negociações imediatas, volta a ameaçar instalações nucleares iranianas e promete reagir caso os houthis interrompam a navegação no Mar Vermelho. Teerã, por sua vez, afirma que não retomará as conversas enquanto permanecer sob ataque. Nesse ambiente, aumentam os riscos de regionalização do conflito e de um bloqueio simultâneo do Estreito de Ormuz e de Bab el-Mandeb, o que poderia comprometer tanto o fluxo global de petróleo quanto o tráfego de contêineres em direção ao Canal de Suez.

A situação logística tornou-se crítica. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz voltou praticamente a zero, em comparação com uma média próxima de 80 travessias diárias antes da guerra, enquanto empresas de navegação alteram rotas e reavaliam suas operações na região. O Brent superou novamente US$ 90 por barril, e algumas casas já estimam que uma interrupção prolongada dos fluxos poderia levar os preços acima de US$ 120. Até o momento, o uso de reservas estratégicas ajudou a conter a alta, mas esse mecanismo possui limites claros, sobretudo porque os estoques americanos estão nos menores níveis desde 1983. O conflito parece preservar um frágil “equilíbrio cinético”, no qual a escalada tende a perder força quando o petróleo se aproxima do limite superior da faixa recente, entre US$ 70 e US$ 90.

As bolsas asiáticas avançaram nesta quarta-feira, sustentadas pela recuperação das fabricantes de semicondutores, apesar da persistência das tensões no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a alta de 30% do Brent no mês, levando o petróleo para acima de US$ 95 por barril, passou a pressionar sobretudo as economias asiáticas dependentes de importações da commodity. Como essas compras são realizadas em dólares, o encarecimento do petróleo deteriora as contas externas, enfraquece as moedas locais e coloca os bancos centrais diante de uma escolha cada vez mais difícil entre defender as taxas de câmbio e preservar o ritmo de crescimento. Por enquanto, a prioridade tem sido conter a desvalorização cambial. Filipinas e Índia intervieram diretamente no mercado de câmbio, enquanto a Indonésia já elevou os juros em 100 pontos-base nos últimos meses.