Ibovespa sobe com Weg e Vale; índice tem melhor resultado do mês
Os mercados globais operam com cautela nesta quinta-feira. Os futuros de Nova York e as bolsas europeias recuam, enquanto os mercados asiáticos apresentaram desempenho mais favorável. O agravamento da guerra no Oriente…
Os mercados globais operam com cautela nesta quinta-feira. Os futuros de Nova York e as bolsas europeias recuam, enquanto os mercados asiáticos apresentaram desempenho mais favorável. O agravamento da guerra no Oriente Médio voltou a reduzir o apetite por risco e impulsionou os preços do petróleo, com o Brent se aproximando de US$ 100 por barril. Nesse ambiente, sinais pontuais de resiliência econômica, como a melhora da confiança empresarial na França, tiveram impacto limitado diante do predomínio das preocupações geopolíticas.
A escalada do conflito ganhou contornos mais graves com os ataques dos houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho e a continuidade das operações americanas contra alvos iranianos. A possibilidade de interrupção simultânea do Estreito de Ormuz e de Bab el-Mandeb amplia os riscos sobre duas das principais rotas do Oriente Médio e já leva embarcações a alterarem seus trajetos. Donald Trump também ameaçou atacar pontes e usinas iranianas caso Teerã volte a atingir navios, enquanto o Irã advertiu que países aliados dos Estados Unidos poderão tornar-se alvos.
Nesse contexto, o Banco Central Europeu deve manter a taxa de juros em 2,25%, mas a recente alta dos preços de energia pode levar Christine Lagarde a adotar uma comunicação mais cautelosa e a preservar a possibilidade de uma nova elevação dos juros em setembro.
No Brasil, o Ibovespa avançou 2,44%, aos 177.548 pontos, em sua melhor sessão desde o dia 10, impulsionado principalmente pelas ações de Vale, WEG e Petrobras. A Vale subiu 3,96% após divulgar uma prévia operacional mais robusta para o segundo trimestre, enquanto a WEG disparou 10% com resultados acima das expectativas e a Petrobras ganhou 2,2%, acompanhando a valorização do petróleo.
O peso dessas companhias na composição do índice, especialmente das grandes empresas ligadas a commodities, ajuda a explicar a força do movimento. A alta também contou com a entrada de capital estrangeiro e com uma participação mais favorável dos investidores locais. No mercado de câmbio, o dólar recuou 0,43%, para R$ 5,05, o menor nível desde o início de junho, beneficiado pelos juros elevados e pela alta do petróleo, em um ambiente no qual as operações de carry trade continuam atrativas.
No campo econômico, o governo lançou o Brasil Soberano 3, programa que disponibilizará até R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas americanas e pelos impactos da guerra no Oriente Médio, com recursos do BNDES e do Tesouro. A iniciativa busca atender até 1,4 mil empresas e também preparar o país para uma possível nova tarifa de 12,5%, enquanto o governo mantém a negociação com Washington como prioridade.
Ao mesmo tempo, o Desenrola 2.0 já negociou R$ 44,7 bilhões em crédito, montante equivalente a mais de 80% do alcançado pela primeira versão do programa, enquanto o TCU alertou para o risco fiscal associado ao atual modelo dos Correios. Na esfera política, a reação negativa do mercado às declarações de Sérgio Gabrielli, supostamente representante econômico do plano do governo para as eleições, levou à sua desautorização como porta-voz, função que ficará sob responsabilidade de Dario Durigan, ampliando a atenção sobre o projeto de Orçamento que será enviado ao Congresso no fim de agosto.
Nos Estados Unidos, a temporada de resultados mostrou que superar as estimativas já não é suficiente para sustentar as ações quando os investidores permanecem atentos à disciplina de capital e à geração de caixa. A Alphabet apresentou lucro e receita acima do esperado, com avanço de 82% no Google Cloud, mas recuou após elevar sua projeção de capex para a faixa entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões. A Tesla também caiu, apesar de vendas e receita acima das projeções, diante da frustração com o lucro e do impacto dos gastos com inteligência artificial e robótica sobre o fluxo de caixa.
A IBM, por sua vez, reportou lucro abaixo do consenso e reduziu sua expectativa de crescimento, mas sua queda no pre-market é a menor entre as três. Na frente comercial, os Estados Unidos buscam acordos provisórios com México e Canadá durante a revisão do USMCA, enquanto negociam regras de origem mais rigorosas para o setor automotivo e padrões trabalhistas e ambientais mais exigentes.
O principal risco, contudo, vem do mercado de títulos. O rendimento do Treasury de 2 anos alcançou 4,3%, o maior nível desde fevereiro de 2025, enquanto a probabilidade de uma alta de 25 pontos-base pelo Federal Reserve subiu. Na ponta longa, o título de 30 anos permanece acima de 5% pelo período mais prolongado desde o início da crise financeira, refletindo preocupações com inflação persistente, deterioração fiscal e aumento da oferta de dívida.
Com o mercado de Treasuries em US$ 31 trilhões, a dívida americana acima de 100% do PIB e os gastos anuais com juros superiores a US$ 1 trilhão, rendimentos elevados por mais tempo pressionam os múltiplos das ações, encarecem o financiamento das empresas e colocam em dúvida a sustentabilidade do atual ciclo de investimentos em inteligência artificial.