Ibovespa: IPCA-15 e cautela com China e IA marcam terça (28)
O Ibovespa fechou a segunda-feira em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos. O movimento foi impulsionado pela melhora do apetite ao risco global, após uma pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e…
O Ibovespa fechou a segunda-feira em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos. O movimento foi impulsionado pela melhora do apetite ao risco global, após uma pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã, que derrubou os preços do petróleo. Apesar do ambiente externo mais favorável, o dólar subiu 0,60%, para R$ 5,11, refletindo a falta de suporte das commodities. O volume financeiro do pregão ficou abaixo da média.
No campo macro, o destaque foi o IPCA-15 de julho. O indicador subiu apenas 0,06% no mês, bem abaixo da expectativa de 0,22%. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,52%. A composição do índice mostrou melhora, com menor pressão dos núcleos de inflação e dos bens industriais, embora serviços, energia elétrica e passagens aéreas ainda estejam elevados.
O dado reforça um ambiente mais favorável para a próxima reunião do Copom. A expectativa é de um corte de 25 pontos-base na taxa Selic na semana que vem, mas a discussão sobre uma redução de 50 pontos-base pode voltar à mesa, embora a probabilidade ainda seja considerada baixa. O cenário comercial também ganhou relevância, com o Brasil acionando a OMC contra as tarifas dos Estados Unidos, que podem atingir 23,1% das exportações brasileiras.
Cautela com IA e incerteza sobre o Fed
Os mercados americanos iniciaram a segunda-feira em alta, mas o alívio perdeu força ao longo do dia. As ações de semicondutores recuaram, levando o Nasdaq a fechar em queda de 0,2%. O S&P 500 ficou estável, enquanto o Dow Jones avançou 0,5%. A nova rodada de aversão ao risco foi liderada pelo setor de semicondutores, com preocupações sobre os avanços tecnológicos da China e dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial.
Uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de equipamentos de litografia, pressionando concorrentes globais como a ASML. Ao mesmo tempo, os mais de US$ 750 bilhões em contratos de infraestrutura de IA associados à Nvidia ampliaram as preocupações com o endividamento e o retorno sobre o capital investido. O rendimento dos Treasuries de dez anos recuou para 4,6%, acompanhando a queda do petróleo.
As atenções se voltam para a reunião do Federal Reserve, que começa nesta terça-feira. A expectativa é de manutenção da taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, mas o mercado atribuía 38% de probabilidade a uma elevação. Na quinta-feira, saem os dados do PCE e a estimativa preliminar do PIB do segundo trimestre, com projeção de crescimento anualizado de 2,5%.