Super Quarta: Selic cai 0,25% e Fed mantém juros
A Super Quarta chegou com expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve e possível corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom. Nos Estados Unidos, mais importante do que a…
A Super Quarta chegou com expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve e possível corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom. Nos Estados Unidos, mais importante do que a decisão em si será a estreia de Kevin Warsh à frente do Fed e os sinais que sua comunicação poderá oferecer sobre os próximos passos da política monetária, em um ambiente ainda marcado por inflação resiliente e divergências crescentes dentro da própria instituição.
Enquanto isso, os mercados globais operam em tom moderadamente positivo: as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, impulsionadas pelo bom desempenho do setor de tecnologia e pela força das exportações japonesas ligadas à inteligência artificial, ao mesmo tempo em que os investidores continuam monitorando os desdobramentos do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Na Europa e nos Estados Unidos, os ativos financeiros seguem em compasso de espera, com movimentos relativamente contidos em ações, moedas e commodities, refletindo a percepção de que o foco do mercado está gradualmente migrando da geopolítica para a política monetária.
O mercado brasileiro atravessou mais uma sessão marcada por cautela, com o Ibovespa registrando sua terceira queda consecutiva, pressionado por uma combinação de fatores externos e domésticos. De um lado, o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte correção nos preços do petróleo, afetando diretamente empresas ligadas ao setor de energia. De outro, a divulgação de novas pesquisas eleitorais reacendeu preocupações em relação à trajetória fiscal dos próximos anos, contribuindo para a alta do dólar e para a manutenção de um fluxo estrangeiro mais contido.
Em paralelo, os indicadores de atividade começaram a sinalizar uma perda de fôlego da economia, com vendas no varejo significativamente abaixo das expectativas e revisões negativas para os meses anteriores, reforçando a percepção de um segundo trimestre menos dinâmico para o crescimento brasileiro. Os investidores acompanharam com atenção a divulgação do IBC-Br de abril, considerado uma prévia do PIB. O indicador também veio abaixo do esperado, corroborando a fraqueza observada no varejo e fortalecendo a leitura de moderação da atividade econômica.
Com isso, as atenções se voltam integralmente para a decisão de política monetária desta Super Quarta. O cenário-base do mercado continua sendo de um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. Ainda assim, o foco não está na decisão em si, mas na mensagem que acompanhará o comunicado. Cresce a avaliação de que o Banco Central deverá sinalizar uma pausa no ciclo de flexibilização, diante da inflação ainda pressionada, das incertezas fiscais e da necessidade de preservar a credibilidade do processo de convergência inflacionária.
Os mercados adotaram uma postura de cautela antes da primeira decisão de política monetária do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh. Embora o Dow Jones tenha renovado máximas históricas ao ultrapassar os 52 mil pontos pela primeira vez, o desempenho mais fraco do setor de tecnologia pressionou o Nasdaq e o S&P 500, evidenciando um ambiente de maior seletividade entre os ativos. A sessão foi marcada por indicadores econômicos com sinais mistos, incluindo enfraquecimento da atividade imobiliária e aceleração dos preços de importação.
Mais do que a decisão sobre os juros, amplamente esperada como uma manutenção da taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o mercado está concentrado na comunicação do Fed e na estreia de Warsh à frente da instituição. Investidores buscam compreender como o novo presidente avalia o equilíbrio entre crescimento, mercado de trabalho e inflação. A expectativa predominante é de que o banco central adote uma postura mais cautelosa, reduzindo qualquer sinalização implícita de cortes iminentes. As projeções econômicas atualizadas também serão acompanhadas de perto, com possibilidade de revisões altistas para a inflação e de uma trajetória de juros mais elevada por um período prolongado.
Ao mesmo tempo, os acontecimentos recentes trouxeram novos elementos para essa discussão. A queda do petróleo após o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu parte das pressões inflacionárias de curto prazo, oferecendo maior flexibilidade ao Fed justamente na primeira coletiva de imprensa de Warsh. Isso reduz a necessidade de uma postura excessivamente dura para demonstrar independência em relação à Casa Branca, embora a inflação subjacente continue acima do nível considerado compatível com a meta. O mercado acompanhará atentamente qualquer sinal sobre a função de reação do novo presidente e suas prioridades para a condução da política monetária.
O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos mais concretos com a divulgação de uma minuta de entendimento com 14 pontos que prevê o encerramento imediato e permanente das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz em até 30 dias e o início de negociações para um acordo definitivo no prazo máximo de 60 dias. Pelo texto, a normalização da navegação estaria condicionada à remoção de minas e de outros obstáculos impostos pelo Irã.