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Ibovespa sobe com corte da Selic no radar e petróleo em alta

O Ibovespa fechou em alta de 0,70% na terça-feira, aos 176.565 pontos, com o mercado reagindo ao resultado do IPCA-15 de julho. O índice subiu 0,06%, abaixo da projeção de 0,22%, e…

Ibovespa sobe com corte da Selic no radar e petróleo em alta
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O Ibovespa fechou em alta de 0,70% na terça-feira, aos 176.565 pontos, com o mercado reagindo ao resultado do IPCA-15 de julho. O índice subiu 0,06%, abaixo da projeção de 0,22%, e a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,52%. A melhora dos núcleos e dos serviços reforçou a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima semana, o que também abriu espaço para uma nova redução em setembro e contribuiu para a queda dos juros futuros.

O índice chegou a alcançar 178.539 pontos na máxima do dia, apoiado pelo desempenho das ações dos bancos, mas perdeu força ao longo da tarde. No cenário externo, o déficit em transações correntes recuou para US$ 2,33 bilhões em junho, financiado pela entrada de US$ 9,1 bilhões em investimento direto no país. Na agenda, o mercado acompanha a divulgação do Caged de junho, com projeção de criação de 137 mil vagas, além dos dados de fluxo cambial e do Relatório Mensal da Dívida Pública.

A Petrobras divulgou números operacionais do segundo trimestre em linha com as expectativas. A produção média foi de 3,308 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No campo político, um vídeo produzido com inteligência artificial, no qual Jair Bolsonaro participa do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, provocou contestação da campanha de Lula e abriu debate sobre os limites do uso dessa tecnologia no processo eleitoral.

Petróleo e Oriente Médio

A retomada das hostilidades no Oriente Médio elevou o prêmio de risco geopolítico. Os Estados Unidos afirmaram ter interceptado mísseis iranianos direcionados a bases militares na região e, em conjunto com a Arábia Saudita, atacaram instalações de logística e armamentos de grupos apoiados por Teerã no Iraque, após mais de 30 ofensivas com drones em 72 horas. Milícias pró-Irã e os Houthis mantiveram a pressão sobre instalações sauditas e rotas estratégicas, enquanto o Irã rejeitou uma proposta de Omã para a administração regional do Estreito de Ormuz.

Diante da persistência dos riscos em Ormuz e Bab el-Mandeb, o petróleo interrompeu a sequência de quedas recentes. O agravamento das tensões ocorre antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, ampliando as incertezas em torno da inflação e da trajetória dos juros. A correção nas ações de empresas de tecnologia prossegue, ainda que com menor intensidade, em meio às dúvidas sobre o retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial.

Decisão do Fed

O Federal Reserve deve manter a taxa dos Fed Funds no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, mas com comunicação de tom mais restritivo. Kevin Warsh tende a reiterar o compromisso com a meta de inflação de 2%, em ambiente marcado pela alta dos preços de energia e pelas incertezas em torno do conflito com o Irã. A volatilidade do cenário e o aperto nas condições financeiras favorecem uma pausa prolongada, em vez de elevação imediata dos juros.

Beth Hammack e Lorie Logan podem votar por uma alta de 25 pontos-base, com a possibilidade de um terceiro voto dissidente. A ferramenta CME FedWatch indica probabilidade pouco inferior a um terço de elevação já nesta reunião. O cenário-base permanece sendo de manutenção dos juros com viés restritivo, enquanto setembro segue no radar. Parte do mercado considera agressiva a precificação de novas altas e avalia que a desaceleração da inflação subjacente pode abrir espaço para juros menores em 2027.

Correção das ações de IA

A correção recente nas ações ligadas à inteligência artificial reflete fatores técnicos, não apenas mudança nos fundamentos. Muitos hedge funds estavam concentrados nas mesmas posições, sobretudo em fabricantes de chips e provedoras de infraestrutura. Com a queda dos preços, esse posicionamento semelhante desencadeou uma onda simultânea de redução de risco e acionamento de mecanismos automáticos de venda.

O movimento alcançou fundos multiestratégia que mantinham exposição significativa ao tema. As perdas começaram na Ásia, com Samsung Electronics, SK Hynix e Kioxia, antes de atingir companhias americanas como Micron, Sandisk e Dell. Investidores migraram para setores menos expostos à IA, favorecendo o avanço do Dow Jones em contraste com a volatilidade do Nasdaq.

Os investidores passaram a exigir evidências mais concretas de retorno, diante do avanço dos concorrentes chineses e da oferta de modelos mais baratos. A Alphabet apresentou despesas acima do previsto e registrou seu primeiro trimestre de fluxo de caixa negativo desde 2004. Meta e Microsoft devem detalhar planos de investimento que podem alcançar, respectivamente, entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões e cerca de US$ 190 bilhões em 2026. Os resultados dessas companhias, seguidos pelos balanços de Amazon e Apple, serão decisivos para indicar se as empresas de tecnologia continuarão acelerando os gastos.

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