Bitcoin volta aos US$ 60 mil: fim da crise nas criptomoedas?
O Bitcoin (BTC) voltou a ser negociado acima dos US$ 60 mil nesta semana, recuperando uma região técnica considerada relevante. O movimento ocorreu após o ativo ter ameaçado uma correção mais profunda…
O Bitcoin (BTC) voltou a ser negociado acima dos US$ 60 mil nesta semana, recuperando uma região técnica considerada relevante. O movimento ocorreu após o ativo ter ameaçado uma correção mais profunda na virada do mês, trazendo alívio para o mercado de criptomoedas.
De acordo com a análise, a melhora no preço interrompeu, ao menos por enquanto, a deterioração observada nas últimas semanas. O cenário foi influenciado por um relatório de emprego mais fraco nos Estados Unidos, pela percepção de menor pressão inflacionária após a fala de Kevin Warsh no Fórum do BCE e por uma rotação de capital no mercado acionário.
Apesar da recuperação, a avaliação é de que o momento ainda exige seletividade. O Bitcoin voltou para cima de um suporte importante, mas o mercado segue precificando a possibilidade de novos aumentos de juros ainda em 2026. Os fluxos para criptomoedas precisam mostrar mais consistência para sustentar uma leitura mais positiva.
Do ponto de vista gráfico, o BTC tocou a região de US$ 58 mil na virada do mês e depois voltou a negociar acima dos US$ 60 mil. A retomada reduz o risco de uma correção adicional em direção aos US$ 50 mil. No entanto, recuperar um suporte não significa reverter a tendência. Para que o movimento ganhe consistência, é necessário observar se o BTC consegue se manter acima dessa região e se a melhora de preço será acompanhada por maior demanda institucional.
Alívio no mercado, mas sem virada de tendência
A recuperação do Bitcoin ocorreu após a divulgação de um relatório de emprego mais fraco nos EUA. Em junho, a economia americana criou apenas 57 mil vagas, abaixo das cerca de 115 mil esperadas. Os dados dos meses anteriores também foram revisados para baixo, retirando 74 mil vagas do total reportado.
Os números reforçaram a percepção de um mercado de trabalho menos resiliente. Para ativos de risco, esse tipo de dado tende a aliviar a pressão sobre as taxas de juros. A fala de Kevin Warsh no Fórum do BCE também contribuiu para o alívio, ao reconhecer que as pressões inflacionárias diminuíram nas últimas semanas.
Outro fator foi a rotação de capital no mercado acionário. Após um primeiro semestre com ganhos concentrados em semicondutores, houve realização em parte desses ativos. Parte do capital passou a buscar oportunidades em segmentos que ficaram para trás, incluindo criptomoedas.
Os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista também mostraram melhora marginal. Após dez dias consecutivos de saídas, os produtos registraram entrada líquida de aproximadamente US$ 223,5 milhões em 2 de julho. O dado interrompe a deterioração recente, mas ainda não tem magnitude para sustentar uma leitura mais construtiva.
Strategy reduz risco, mas muda narrativa
A Strategy, empresa de Michael Saylor, anunciou um novo pacote de gestão de capital. A companhia autorizou até US$ 2 bilhões em recompras e reforçou sua reserva em dólar para cerca de US$ 2,55 bilhões, valor suficiente para cobrir aproximadamente 17,4 meses de dividendos e juros da dívida.
O ponto mais sensível foi a criação de um programa de monetização de Bitcoin. A empresa passou a ter autorização para vender parte dos seus BTCs caso a gestão entenda que isso é mais vantajoso do que emitir novas ações em condições desfavoráveis. Os recursos poderiam ser usados para reforçar a reserva em dólar, pagar dividendos e juros ou financiar recompras.