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Corte de juros: o que esperar da reunião de setembro?

Copom deve cortar juros em 0,25 ponto; decisão de setembro segue em aberto O boletim Focus desta semana trouxe alívio para as expectativas de inflação, com revisão para baixo da projeção de…

Corte de juros: o que esperar da reunião de setembro?
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Copom deve cortar juros em 0,25 ponto; decisão de setembro segue em aberto

O boletim Focus desta semana trouxe alívio para as expectativas de inflação, com revisão para baixo da projeção de 2026 e estabilidade nos dois anos seguintes. A produção industrial de junho, divulgada ontem, também veio abaixo do esperado.

Com isso, o corte sequencial de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom desta noite é dado como certo. A dúvida fica para o encontro de setembro.

Na avaliação de analistas, há espaço para pelo menos mais um corte de 0,25 ponto, ritmo considerado sensato diante das incertezas internas e externas. O movimento de setembro, porém, ainda está distante das garantias do ajuste de hoje.

A decisão futura vai depender da próxima rodada de indicadores macroeconômicos e, principalmente, do discurso que o Copom adotar para justificar suas decisões.

Há expectativa de que o presidente do Banco Central, Galípolo, siga o estilo de Kevin Warsh, do Federal Reserve. Desde que assumiu o comando do Fed, Warsh trabalha para eliminar o chamado “forward guidance” e adotar uma gestão mais enxuta da política monetária, em que o presidente da autoridade monetária influencia o mínimo possível no resultado do jogo.

Essa abordagem segue a corrente teórica de Mervyn King, ex-comandante do Bank of England e hoje consultor do Fed para comunicação com o mercado. A ideia central é que o mercado reage ao que espera do Banco Central, e a maior parte do ajuste das condições de crédito é feita pelo próprio mercado, com um empurrão direcionado da autoridade.

No último encontro do Fed, em julho, os juros foram mantidos, mas Warsh abriu espaço em seu discurso para que o próprio mercado elevasse a curva de juros. A decisão foi considerada “dovish”, acompanhada de uma retórica “hawkish”, para neutralizar riscos ao longo do tempo.

Para adotar esse estilo, um presidente de Banco Central precisa aceitar não ser o centro das atenções. Em troca, consegue fazer seu trabalho com menos esforço.

A leitura é que, ironicamente, quanto mais duro for o tom da ata e do comunicado do Copom desta noite, maiores as chances de um novo corte em setembro.

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