Ibovespa digere Copom, Fed e acordo EUA-Irã; o que esperar hoje?
Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e…
Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuiu para uma nova rodada de queda nos preços do petróleo e reforçou o alívio observado nos ativos de risco ao redor do mundo.
Na Ásia, bolsas como Nikkei e Kospi renovaram máximas históricas, impulsionadas pelo recuo das tensões geopolíticas e pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial (IA). Na Europa, os mercados oscilaram entre o alívio proporcionado pelo acordo e a reprecificação de um ambiente de juros mais elevados por mais tempo.
Decisão do Copom
No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mais relevante do que a decisão foi a mudança na comunicação da autoridade monetária. Diferentemente da reunião anterior, o Banco Central deixou de indicar de forma explícita que a continuidade do ciclo de cortes permanecia como o cenário mais provável.
O comunicado reconheceu que a atividade econômica avançou acima do esperado no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, destacou a deterioração das expectativas de inflação, elevou a projeção inflacionária para o horizonte relevante de política monetária de 3,5% para 3,7% e passou a enfatizar o risco de uma demanda crescendo acima da capacidade produtiva da economia.
O Comitê argumentou que uma política monetária excessivamente restritiva poderia levar a inflação para abaixo da meta no horizonte que passará a ser considerado nas próximas reuniões. A questão é que o horizonte atualmente relevante, o quarto trimestre de 2027, continua exibindo inflação acima da meta e em trajetória de piora. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária.
Decisão do Federal Reserve
A decisão do Federal Reserve (Fed) veio em linha com as expectativas, com o FOMC mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A principal surpresa esteve na mudança nas projeções dos membros do comitê. Nove dos dezenove dirigentes passaram a prever ao menos uma elevação dos juros em 2026, ante apenas três na rodada anterior de projeções. As estimativas para a inflação foram revisadas para cima.
O comunicado marcou uma inflexão na forma de comunicação da instituição. O Federal Reserve eliminou integralmente o forward guidance, abandonando indicações mais explícitas sobre a trajetória futura da política monetária. O texto passou a enfatizar que a atividade econômica continua avançando em ritmo robusto, que o mercado de trabalho permanece resiliente e que a inflação ainda opera acima da meta.
Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh, agora chefe do Fed, reforçou que a inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos e que a estabilidade de preços continuará sendo o principal compromisso do banco central. Ele apresentou uma agenda de reformas internas, incluindo grupos de trabalho voltados à revisão dos mecanismos de comunicação do Fed e da qualidade das estatísticas econômicas utilizadas nas decisões de política monetária.