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Ibovespa: Caged reforça aposta em corte da Selic

Os mercados globais operam em tom misto no primeiro pregão do segundo semestre. Há realização parcial após os fortes ganhos do trimestre anterior e maior cautela diante da falta de avanços concretos…

Ibovespa: Caged reforça aposta em corte da Selic
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Os mercados globais operam em tom misto no primeiro pregão do segundo semestre. Há realização parcial após os fortes ganhos do trimestre anterior e maior cautela diante da falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Enviados americanos estão em Doha para conversas com mediadores do Catar, mas ainda não há encontro direto confirmado com autoridades iranianas. O petróleo segue pressionado, com o Brent próximo de US$ 72 por barril, refletindo a percepção de que o prêmio de risco da guerra diminuiu com a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das exportações iranianas.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O Nikkei subiu, apoiado por dados positivos do Tankan, enquanto a Coreia do Sul caiu, pressionada por empresas de semicondutores. Na Europa, os mercados também operam mistos, enquanto investidores avaliam dados de inflação e atividade industrial.

Nos Estados Unidos, a atenção se concentra nos dados de emprego, com o ADP nesta quarta-feira e o payroll amanhã. O mercado ainda trabalha com um Fed mais hawkish. Na Zona do Euro, a inflação preliminar de junho desacelerou para 2,8% no índice cheio e 2,4% no núcleo. Na China, o PMI industrial privado recuou levemente para 51,7, sugerindo expansão, mas com perda de força nas exportações.

Brasil

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira em queda de 0,68%, aos 172 mil pontos. O índice consolidou leve baixa de 0,10% em junho, o quarto mês consecutivo de perdas, mas acumulou alta de 6,8% no semestre. O principal dado doméstico foi o Caged de maio, que mostrou criação líquida de 72.960 vagas formais, bem abaixo das cerca de 120 mil esperadas pelo mercado e 52% inferior ao saldo de maio de 2025. Foi o pior resultado para o mês desde 2020.

O dado reforça a leitura de desaceleração gradual do mercado de trabalho, embora ainda sem caracterizar contração. O resultado se soma ao IPCA-15 mais benigno e à comunicação mais clara de Gabriel Galípolo, fortalecendo as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto. A leitura predominante é que o mercado de trabalho segue resiliente, mas perde dinamismo, reduzindo uma das principais preocupações do Banco Central com a inflação de serviços.

O quadro fiscal segue como ponto de atenção e funciona como um limitador para a extensão do ciclo de cortes. O resultado primário do Governo Central mostrou receitas crescendo 5,5% acima da inflação nos cinco primeiros meses do ano, mas despesas avançando 13,5% em termos reais, pressionadas por precatórios, pessoal e previdência. O déficit nominal atingiu R$ 149 bilhões, com gasto de juros de R$ 107,5 bilhões no mês.

No campo dos combustíveis, o governo anunciou a retirada gradual dos subsídios ao diesel e à gasolina, movimento justificado pela queda do Brent e pela necessidade de preservar a neutralidade fiscal.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o primeiro semestre terminou com forte desempenho dos mercados. O S&P 500 encerrou o segundo trimestre com alta de 14,9%, seu melhor desempenho desde 2020, e acumula ganho de 9,55% no ano. O Nasdaq avança cerca de 12,8% no período, enquanto o Dow sobe 8,85%. O principal motor da alta foi a tecnologia, especialmente os semicondutores: o Índice de Semicondutores da Filadélfia (SOX) teve o melhor trimestre de sua história, com retorno próximo de 92%.

Para o segundo semestre, o cenário segue construtivo, mas menos simples. A rotação recente para setores como saúde, indústria e financeiro sugere que a alta pode começar a se espalhar para além das empresas diretamente ligadas à IA. O principal risco é que a própria tecnologia, responsável por liderar a alta, também se torne o ponto de fragilidade caso os retornos dos investimentos em IA desacelerem. O Fed permanece como variável decisiva, especialmente após economistas do Bank of America passarem a esperar três altas de juros até o fim do ano.