Ibovespa: petróleo cai e mercado aguarda balanços de Microsoft e Meta
A interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã por vários dias trouxe alívio aos mercados, embora ainda não represente um cessar-fogo formal. O petróleo recuou com força, o dólar perdeu espaço…
A interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã por vários dias trouxe alívio aos mercados, embora ainda não represente um cessar-fogo formal. O petróleo recuou com força, o dólar perdeu espaço e as bolsas avançam, refletindo a percepção de que Washington e Teerã abriram uma janela para a diplomacia, com participação de Omã e, segundo alguns relatos, também da China e do Paquistão. O quadro permanece frágil: o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz e por Bab el-Mandeb segue muito abaixo do normal, os custos de seguro e frete continuam elevados, e novos episódios envolvendo os Houthis, a Arábia Saudita e a Ucrânia mostram que o conflito já se espalhou por diferentes frentes.
Do ponto de vista econômico, a principal consequência continua sendo o risco inflacionário. A alta recente do petróleo e do gás, combinada com novas tarifas dos Estados Unidos e com a expansão dos investimentos em inteligência artificial, reacendeu as preocupações com uma nova rodada de pressão sobre os preços. Nesse ambiente, as reuniões do Federal Reserve, do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão ganham importância adicional. A tecnologia permanece como outro eixo central dos mercados. Nvidia, Microsoft, Amazon, Meta, Apple e outras grandes empresas continuam ampliando os investimentos em infraestrutura de IA, enquanto contratos bilionários envolvendo Samsung, Broadcom, SK Hynix e Naver reforçam a demanda estrutural por chips e capacidade computacional.
No cenário doméstico, a agenda econômica está relativamente esvaziada, enquanto o recesso do Congresso reduz o fluxo de notícias locais e mantém os mercados mais sensíveis aos acontecimentos externos, sobretudo à decisão do Federal Reserve. Alguns indicadores serão importantes para a próxima reunião do Copom, marcada para a semana que vem, entre os dias 4 e 5 de agosto. Antes disso, o IPCA-15 de julho, com expectativa de desaceleração para 0,21%, e os dados de emprego da Pnad Contínua e do Caged deverão ajudar a avaliar se a atividade econômica está perdendo força. Também entram no radar as contas externas, a nota de crédito e os dados fiscais de junho.
No campo político e geopolítico, a conversa entre Lula e Xi Jinping reforçou a estratégia brasileira de diversificação de mercados com a China. Entre os temas discutidos estiveram a tentativa de acelerar as negociações de um acordo entre o Mercosul e Pequim, além da ampliação da cooperação em tecnologia, comércio e fóruns multilaterais. No ambiente eleitoral, o cenário permanece fragmentado: Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para construir uma aliança mais ampla, enquanto Romeu Zema foi oficializado pelo Novo e busca ampliar seu reconhecimento nacional.
A temporada de resultados começou com números corporativos sólidos, mas acompanhados por reações negativas das ações, refletindo a preocupação dos investidores com o volume de capital destinado à inteligência artificial. A semana atual deverá testar novamente o apetite dos investidores, com quase um terço das empresas do S&P 500 divulgando resultados. A agenda inclui Microsoft, Meta, Amazon e Apple, além de nomes como Boeing, Coca-Cola, Visa, Mastercard, Chevron e Exxon Mobil.
Os preços do petróleo recuaram após Estados Unidos e Irã suspenderem ataques diretos por dois dias consecutivos. O Brent caiu para menos de US$ 90 por barril, enquanto os contratos futuros do Nasdaq avançaram e o dólar perdeu força. Washington afirmou que a pausa busca abrir espaço para as negociações, e Teerã indicou que manterá a suspensão enquanto os EUA fizerem o mesmo. A trégua coincidiu com conversas mediadas por Omã sobre a navegação no Estreito de Ormuz. A Ucrânia afirmou ter atingido embarcações no Mar Cáspio ligadas ao transporte de cargas militares envolvendo o Irã, reforçando as discussões sobre uma aproximação estratégica entre Rússia e Irã.
Os modelos de IA de peso livre (open-weight) ganharam destaque após mais de 20 empresas de tecnologia divulgarem uma carta aberta em defesa dessa categoria. Diferentemente de sistemas fechados e proprietários, como o Claude Fable 5, da Anthropic, e a série GPT-5.6, da OpenAI, esses modelos ampliariam o acesso à economia da IA ao oferecer alternativas de menor custo e maior flexibilidade. A carta evitou mencionar diretamente a China, embora muitos dos exemplos mais conhecidos venham do país, como DeepSeek e Kimi K3, da Moonshot AI.