Ibovespa: PIB fraco e tensão Irã-EUA marcam semana
Os mercados globais começam a semana sem direção única, entre o alívio com a possibilidade de menos aperto monetário nos Estados Unidos e os riscos geopolíticos no Oriente Médio. O cessar-fogo de…
Os mercados globais começam a semana sem direção única, entre o alívio com a possibilidade de menos aperto monetário nos Estados Unidos e os riscos geopolíticos no Oriente Médio. O cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã terminou sem acordo para renovação, e as conversas entre Washington e Teerã seguem paradas. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua restrito.
No Líbano, ataques israelenses deixaram 11 mortos, incluindo um comandante do Hezbollah, no episódio mais grave desde o cessar-fogo de junho. Com isso, os preços do petróleo Brent e WTI voltaram a subir, mantendo um prêmio de risco sobre energia e transporte marítimo. As bolsas, porém, seguem resilientes perto das máximas do S&P 500, com menos apostas em alta de juros pelo Federal Reserve.
Na Ásia, os dados econômicos reforçaram a perda de ritmo da atividade, mas as bolsas da região avançaram. Nikkei, Shanghai e Hang Seng fecharam em alta, apoiadas pela percepção de menor risco de aperto monetário nos EUA. A semana terá poucos indicadores relevantes, mas a ata do Fed, os balanços de grandes varejistas como o Walmart e os desdobramentos das negociações com o Irã devem ficar no centro das atenções.
IBC-Br recua e mostra desaceleração da atividade
No Brasil, o mercado fechou a última semana sob pressão, com aversão a risco, saída de capital estrangeiro e início da volatilidade pré-eleitoral. O Ibovespa caiu 0,10% na sexta-feira, aos 166.934 pontos, acumulando nove sessões seguidas de perdas e queda de 3,23% na semana, o pior resultado desde maio. O dólar subiu 2,67% no período e voltou a superar R$ 5,20. Em agosto até o dia 12, a saída líquida de estrangeiros da bolsa foi de R$ 13,6 bilhões, com aumento dos prêmios na curva de juros.
Instituições internacionais reagiram: um banco americano tirou o real da cesta de carry trade, prevendo mais volatilidade cambial com o processo eleitoral. Outro reduziu a recomendação para o Brasil de overweight para neutro e cortou a projeção para o Ibovespa, citando incerteza eleitoral, juros reais altos, desaceleração da atividade e preocupações fiscais.
O IBC-Br de junho caiu 0,6% na comparação mensal, um pouco pior que a expectativa de queda de 0,5%, após alta de 0,1% em maio. O dado reforça a perda de fôlego da economia no fim do segundo trimestre, acompanhando a desaceleração em indústria, comércio e serviços. A leitura indica uma segunda metade do ano menos favorável e aumenta a atenção sobre a intensidade da desaceleração nos próximos meses.
A inadimplência empresarial atingiu 9,1 milhões de CNPJs em junho, com R$ 232,9 bilhões em dívidas atrasadas, ambos recordes. No setor público, o déficit primário consolidado chegou a R$ 55,3 bilhões em junho e R$ 157,2 bilhões no acumulado do ano, o equivalente a 1,19% do PIB. A dívida pública segue acima de 80% do PIB.
Esse cenário mostra que a combinação de política monetária restritiva, expansão dos gastos públicos e deterioração fiscal deve manter juros, câmbio e ativos domésticos sensíveis ao noticiário político e às discussões sobre o ajuste no próximo ciclo de governo.
Há contrapontos. A balança comercial deve fechar 2026 com superávit maior que o do ano anterior, impulsionada por exportações de soja e petróleo e importações em ritmo mais lento. Na energia, a Petrobras identificou óleo no poço Morpho, na Margem Equatorial, reforçando o potencial da região, mas ainda sem informações para estimar o tamanho da descoberta ou sua viabilidade econômica. Se futuras perfurações confirmarem escala, a área pode virar nova fronteira para a produção brasileira, mas os efeitos na oferta da companhia devem aparecer só no longo prazo, dependendo de licenciamento, investimentos e alocação de capital.
Atenção nas ações americanas
Nos EUA, os índices fecharam a semana estáveis. O S&P 500 caiu 0,2% da máxima histórica, o Nasdaq recuou 0,3% e o Dow Jones cedeu 0,2%. Mesmo assim, o S&P 500 teve a terceira semana seguida de ganhos. O mercado reagiu pouco à queda inesperada de 0,6% nas vendas no varejo, influenciada pela antecipação de promoções como o Amazon Prime Day, e à alta de 1,7% do petróleo Brent, com negociações paradas entre EUA e Irã.
A volatilidade caiu: o VIX recuou para 14,25 pontos, menor nível desde dezembro e bem abaixo da média histórica de 19,45. A temporada de resultados ajuda, com lucros das empresas do S&P 500 caminhando para expansão acima de 31% no segundo trimestre. Também houve redução das apostas em nova alta de juros pelo Fed, após leituras mais fracas de inflação e emprego.
Apesar do ambiente favorável, Wall Street mantém cautela. A projeção média para o S&P 500 ao fim do ano é de 7.900 pontos, alta de apenas 1,5% nos próximos meses, mesmo com forte expansão dos lucros. As ações das “Magnificent Seven” sobem cerca de 4% no ano, abaixo dos 14% do S&P 500 e dos 16% da versão com pesos iguais, levantando dúvidas sobre quanto do rali tecnológico já está nos preços. O crescimento dos lucros pode desacelerar para cerca de 13,6% em 2027, perto do quarto ano do ciclo impulsionado pela inteligência artificial. Eventos como o fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, a ata do Fed e novas tarifas comerciais ainda podem provocar episódios de volatilidade.