Ibovespa hoje: Copom decide Selic e IA anima mercado
Os mercados globais operam em tom positivo nesta quarta-feira, com a expectativa de um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz e a recuperação das ações de tecnologia. Estados Unidos,…
Os mercados globais operam em tom positivo nesta quarta-feira, com a expectativa de um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz e a recuperação das ações de tecnologia. Estados Unidos, Irã e Omã estariam próximos de anunciar um entendimento inicial de 60 dias para restabelecer a navegação na região. Donald Trump afirmou que as conversas avançam de forma construtiva.
No campo econômico, os índices de gerentes de compras (PMIs) indicaram recuperação na Europa. O setor de serviços da zona do euro voltou a crescer em julho, com o indicador em 51,7 pontos. O Reino Unido retomou a expansão e a Alemanha se aproximou da estabilidade. Na China, o PMI de serviços desacelerou para 50,4 pontos, refletindo o enfraquecimento da demanda doméstica.
Decisão do Copom
No Brasil, as atenções estão concentradas na decisão do Copom. A expectativa é de redução da Selic em 25 pontos-base, de 14,25% para 14,00% ao ano. A inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para o corte. A retração de 1,8% da produção industrial em junho e a queda do petróleo reforçam o argumento a favor da redução dos juros.
O mercado acompanhará principalmente o tom do comunicado e eventuais indicações sobre um novo corte em setembro. Os riscos fiscais, as expectativas de inflação ainda elevadas e as incertezas externas recomendam cautela. Na terça-feira, o Ibovespa fechou praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.895 pontos. A queda do petróleo pressionou as ações da Petrobras, que recuaram 1,28%.
Mercados americanos
Os mercados americanos mantiveram trajetória de alta no início de agosto. O Dow Jones superou a marca de 54 mil pontos pela primeira vez. O S&P 500 renovou a máxima histórica e o Nasdaq avançou 2,6%. A Palantir registrou crescimento de 93% na receita e elevou sua projeção para o ano. A Caterpillar reportou expansão de 48% nas vendas de equipamentos de geração de energia, impulsionada pela demanda dos data centers.
No mercado de trabalho, o relatório JOLTS mostrou 7,4 milhões de vagas em junho. A relação entre postos em aberto e trabalhadores desempregados permaneceu estável em 1,0 pelo quarto mês consecutivo. As atenções se voltam para o ADP, o ISM de serviços e o relatório oficial de empregos de julho, que deve indicar a criação de 100 mil vagas e a manutenção da taxa de desemprego em 4,2%. Dirigentes do Federal Reserve continuam alertando para os riscos inflacionários.
Política britânica e semicondutores
Andy Burnham assumiu o cargo de sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos. Sua agenda prevê construção de moradias sociais, renacionalizações e maior participação do Estado no planejamento industrial. A implementação dessas propostas esbarra na limitada margem fiscal do Reino Unido. A carga tributária já se encontra no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial.
O avanço da inteligência artificial provoca uma espécie de “chipflação”, pressão de alta sobre os preços dos semicondutores. Os fabricantes passaram a priorizar componentes para data centers e servidores, que oferecem margens mais elevadas, em detrimento daqueles usados em computadores, smartphones e eletrodomésticos. Isso reduz a oferta para o mercado de consumo e encarece os chips, o que já aparece nos custos de importação e nos índices de inflação dos Estados Unidos.