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Ibovespa: Selic e petróleo no radar da semana

Os preços do petróleo reagiram de forma limitada aos novos episódios de tensão no Golfo e na Rússia, sugerindo que os investidores já incorporam algum grau de instabilidade na implementação do memorando…

Ibovespa: Selic e petróleo no radar da semana
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Os preços do petróleo reagiram de forma limitada aos novos episódios de tensão no Golfo e na Rússia, sugerindo que os investidores já incorporam algum grau de instabilidade na implementação do memorando entre Estados Unidos e Irã. Apesar da troca de ataques no fim de semana, com drones iranianos atingindo embarcações em Ormuz, resposta americana contra instalações militares iranianas e retaliações contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein, os dois países concordaram em suspender temporariamente as hostilidades e retomar conversas técnicas, possivelmente em Doha.

Ainda assim, o cessar-fogo permanece frágil. Omã teria informado autoridades europeias de que não há retorno ao status quo anterior no Estreito de Ormuz e que embarcações poderão ter de pagar taxas para transitar pela rota, reforçando a percepção de que o equilíbrio energético global mudou de forma estrutural.

No Brasil, o alívio recente no petróleo, o IPCA-15 abaixo do esperado e a comunicação mais detalhada do Banco Central mantêm vivo o debate sobre a possibilidade de novo corte da Selic. O Relatório de Política Monetária e as falas de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti ajudaram a reduzir os ruídos deixados pelo comunicado e pela ata do Copom, reforçando que tanto uma nova redução dos juros quanto uma pausa seguem sobre a mesa.

A queda de 10,6% do petróleo na semana passada passou a ser vista como um possível vetor desinflacionário relevante, ainda que persistam riscos no Oriente Médio. Nesse ambiente de maior apetite a risco, os juros futuros de curto e médio prazo recuaram para os menores níveis em cerca de um mês. A semana começa com menor liquidez por conta do jogo da seleção, que costuma reduzir em cerca de 20% o volume em relação a dias normais.

A agenda doméstica da semana será relevante para testar se a economia caminha para uma desaceleração compatível com a continuidade do afrouxamento monetário. O mercado acompanha o IGP-M de junho, os dados de crédito, o resultado primário do Governo Central, com projeção de déficit entre R$ 52,7 bilhões e R$ 53,2 bilhões, além do Caged de maio, que deve mostrar abertura líquida de cerca de 120 mil vagas formais, e da produção industrial. O emprego ainda deve confirmar resiliência, mas com expectativa de desaceleração gradual das contratações nos próximos meses.

No pano de fundo, o lançamento do Desenrola Adimplentes busca ampliar o acesso ao crédito para consumidores com bom histórico de pagamento, em mais um esforço eleitoral.

Nos Estados Unidos, mesmo com a maioria das ações do S&P 500 em alta, o índice fechou em leve queda na última sexta-feira de 0,05%, pressionado pelo desempenho negativo das gigantes de tecnologia. Enquanto setores como saúde e consumo discricionário avançaram, o índice de tecnologia do S&P 500 recuou 1,1%, o Nasdaq caiu pelo quinto pregão consecutivo e o índice de semicondutores SOX tombou 5,3%.

A principal preocupação está nos gastos crescentes com inteligência artificial, que começam a elevar os custos de componentes e já levam empresas como Apple e Microsoft a repassar parte dessa pressão para notebooks, smartphones e outros dispositivos. Caso os preços mais altos prejudiquem a demanda, o impacto pode se espalhar por toda a cadeia de tecnologia, justamente em um momento em que as “Magnificent Seven” começam a mostrar perda de fôlego, com desaceleração dos fluxos de caixa e desempenho inferior ao restante do mercado.

Com o alívio mais imediato no petróleo após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o foco dos investidores volta para a economia americana e para a trajetória dos juros. A semana será encurtada pelo feriado da Independência, mas terá uma agenda relevante, com destaque para o payroll de junho, antecipado para quinta-feira, no qual economistas esperam a criação de cerca de 110 mil a 113 mil vagas e a manutenção da taxa de desemprego em 4,3%.

O mercado também acompanhará Jolts, ADP, PMIs, ISM industrial e pedidos semanais de auxílio-desemprego para avaliar se a atividade segue forte o suficiente para justificar a postura mais cautelosa do Fed. Thomas Barkin, do Fed de Richmond, reforçou que ainda é difícil ter confiança em uma volta sustentável da inflação à meta de 2%, especialmente diante das pressões associadas aos investimentos em infraestrutura de IA.

O possível avanço de uma cobrança de taxas sobre embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz reforça a percepção de que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode ter alterado de forma duradoura o equilíbrio energético global. Segundo relatos, Omã teria informado autoridades europeias de que não há como retornar ao status quo anterior na região, o que poderia impor custos de dezenas de bilhões de dólares por ano a operadores de commodities e empresas de transporte marítimo.

Governos como os dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos alertam que uma medida desse tipo violaria normas do direito marítimo internacional. Ainda assim, a situação permanece instável. Mesmo que o fluxo pelo Estreito de Ormuz seja retomado, dificilmente voltará ao padrão anterior. A dinâmica se assemelha ao que ocorreu no Estreito de Bab Al Mandeb desde o fim de 2023, quando ataques de grupos aliados ao Irã levaram parte dos navios a contornar a África em vez de navegar pela rota tradicional.

No caso de Ormuz, a retomada tende a ser mais relevante, dada sua importância estratégica e a ausência de alternativas equivalentes. O mercado já começa a precificar uma nova realidade: rotas alternativas por oleodutos, gasodutos e ferrovias passam a ser exploradas, novas estruturas logísticas começam a ser desenvolvidas e um prêmio geopolítico mais persistente tende a dar sustentação aos preços do petróleo. No longo prazo, empresas e governos devem buscar maior diversificação geográfica e energética, consolidando a ideia de que o antigo status quo não será restabelecido e de que uma nova ordem energética está em formação.

A aproximação entre os modelos de IA chineses e americanos reacendeu o debate sobre os efeitos de uma regulação fragmentada da tecnologia. Pesquisadores indicaram que a Zhipu AI, da China, já consegue igualar o modelo Mythos, da Anthropic, em algumas tarefas, mesmo depois de o governo dos Estados Unidos ter forçado a retirada do modelo americano do ar. Embora a China ainda não tenha alcançado plenamente o nível de Anthropic e OpenAI, seu avanço expõe uma contradição relevante: ao restringir modelos domésticos, mas manter o fluxo de semicondutores para rivais estratégicos, os EUA podem estar criando um cenário de competição inesperado.