Ibovespa: Lula avalia tarifaço e guerra Apple x Nvidia movimentam mercado
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma rodada de conversas com setores da economia que foram afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos. O objetivo é…
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma rodada de conversas com setores da economia que foram afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos. O objetivo é avaliar os riscos econômicos e políticos de uma possível retaliação brasileira. Com a aproximação das eleições, bancos e gestoras de recursos intensificaram o monitoramento das convenções partidárias e das pesquisas de opinião, que devem começar a medir a percepção do eleitorado sobre o tema.
No mercado financeiro, o estresse na curva de juros brasileira se intensifica. As NTN-Bs, títulos públicos indexados à inflação, já oferecem taxas reais superiores a 8%. Esse movimento reflete o aumento do prêmio de risco fiscal, a menor demanda dos compradores tradicionais e o desequilíbrio entre oferta e procura por esses papéis. Para investidores de longo prazo, esses retornos são considerados atraentes, mas exigem horizonte adequado e tolerância à forte volatilidade no curto prazo. O calendário eleitoral deve manter esse tema em evidência e ampliar as oscilações nos próximos meses.
No cenário internacional, a tensão permanece elevada no Estreito de Ormuz. Estados Unidos e Irã trocaram ataques pelo décimo dia consecutivo, apesar da apresentação de uma proposta de cessar-fogo de dez dias por mediadores regionais. O objetivo da trégua seria reativar o acordo provisório firmado no mês passado. Um novo ataque a um navio-tanque reforçou as preocupações com o abastecimento global de petróleo, e o tráfego marítimo na região caiu de forma acentuada.
Os houthis anunciaram um embargo contra a Arábia Saudita e ameaçaram fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o transporte de energia. Algumas instituições financeiras avaliam que o barril do petróleo Brent pode superar os US$ 120 no quarto trimestre, caso as interrupções no Estreito de Ormuz persistam. O cenário-base, no entanto, ainda projeta preços de US$ 80 no fim deste ano e de US$ 75 no próximo, sob a hipótese de uma desescalada das tensões no Oriente Médio. Os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico caíram para menos de 45% dos níveis anteriores ao conflito.
Apesar dos riscos geopolíticos, os mercados operavam em alta na manhã desta terça-feira. O movimento foi sustentado pela expectativa de uma possível trégua e pela retomada das compras de ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. Os futuros de Nova York avançavam, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas europeias também registravam ganhos moderados.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump intensificou a guerra comercial ao anunciar tarifas adicionais de 50% sobre uma ampla variedade de produtos canadenses. A medida inclui automóveis, bebidas alcoólicas, laticínios e móveis, e deve entrar em vigor em 30 dias. A reação inicial dos mercados foi moderada, indicando que os agentes ainda tratam parte dessas ameaças com cautela.