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Por quanto tempo pagaremos a conta?

O economista e investidor Michael Burry, conhecido por ter previsto a crise financeira de 2008, fez um alerta sobre a atual dinâmica do mercado de ações, especialmente no setor de inteligência artificial…

Por quanto tempo pagaremos a conta?
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O economista e investidor Michael Burry, conhecido por ter previsto a crise financeira de 2008, fez um alerta sobre a atual dinâmica do mercado de ações, especialmente no setor de inteligência artificial (IA). A provocação foi publicada em seu boletim informativo e repercutida por Rodolfo Amstalden, da Empiricus.

A análise aponta para uma situação incomum nos mercados. Para que as ações de empresas ligadas a hardware de IA continuem subindo, os papéis da chamada “velha economia” precisam se sacrificar. Não se trata mais da disputa entre ações de crescimento e valor, mas de uma concentração extrema de lucros. Ou o investidor está junto aos grandes nomes da IA, ou está fora do movimento.

Do ponto de vista financeiro, o movimento é compreensível, com a liquidez sendo drenada para as narrativas do momento. No entanto, a questão central levantada por Burry é sobre a sustentabilidade desse modelo. A dúvida é quanto tempo um sistema pode durar no qual poucos atores ficam com a maior parte do lucro de uma indústria, enquanto os financiadores dessa indústria ainda não veem retorno sobre seus investimentos.

Em teoria, se a IA representa um salto de produtividade para toda a economia, as ações da “velha” economia também deveriam se beneficiar. Mas, até agora, os sinais apontam para o contrário. Burry alerta para um “feedback loop” fechado, onde uma empresa de IA investe em outra, criando um ciclo que transforma gastos em receita de forma artificial.

As grandes empresas de tecnologia, como Amazon, Google, Meta e Microsoft, já parecem estar cientes do problema. Elas buscam se reposicionar como provedoras de infraestrutura, e não apenas como financiadoras. A Microsoft, por exemplo, já reconheceu que seus gastos ultrapassaram o nível de decisões triviais. A Apple, por sua vez, nunca se comprometeu totalmente com planos de investimento que considera artificiais.

O texto conclui com o ditado de que “contra fluxo não há fundamentos”, mas questiona por quanto tempo o fluxo pode ignorar os fundamentos.

Mercado testa resiliência com conflitos e política

Enquanto o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos em IA continua, o mercado financeiro se prepara para uma semana de eventos que podem testar a resiliência dos ativos. A volta do tema da Guerra do Irã às manchetes e a proximidade das eleições presidenciais no Brasil são fatores que exigem atenção dos investidores.

Analistas da Empiricus apontam que o cenário de curto prazo impõe uma lógica desconfortável. A escassez de novidades faz com que o mercado opere em um modo mais reativo a eventos pontuais. A combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio com a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais cria um ambiente de incerteza.

Além disso, a política de juros nos Estados Unidos continua a ser um fator determinante para o fluxo de capital global. A expectativa é de que os próximos movimentos do Federal Reserve (Fed) sejam acompanhados de perto, pois podem influenciar a atratividade dos mercados emergentes, como o Brasil. A Empiricus recomenda que os investidores fiquem de olho em como esses três fatores — conflito internacional, cenário político doméstico e juros americanos — vão interagir nos próximos dias.