Precificação eleitoral: o sopro que incita a ação
Com a Copa do Mundo chegando ao fim e a Guerra do Irã limitada por fronteiras cognoscíveis, o segundo semestre de 2026 começa a flertar com outras narrativas. A primeira delas é…
Com a Copa do Mundo chegando ao fim e a Guerra do Irã limitada por fronteiras cognoscíveis, o segundo semestre de 2026 começa a flertar com outras narrativas. A primeira delas é velha conhecida do calendário, mas ainda assim pode trazer novidades: a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 nos Estados Unidos.
Os bancos americanos já apresentaram desempenho superior entre ontem e hoje. Isso pode ser indicativo de uma tendência mais ampla, na qual setores menos evidenciados no passado recente entregam bons resultados, enquanto o grupo de empresas de inteligência artificial enfrenta dificuldades para atender às altas expectativas.
No Brasil, a temporada não promete grandes surpresas, e isso é visto como algo positivo. Normalmente, surpresas por aqui servem para alimentar a cauda negativa da distribuição, já que as melhores empresas do país entregam resultados consistentemente positivos trimestre após trimestre. No entanto, há um prognóstico doméstico de potenciais surpresas positivas dentro do campo político.
Partidos importantes da direita e centro-direita parecem inclinados a abandonar qualquer apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, especialmente às vésperas dos eventuais detalhes de um vídeo “pouco convencional”. É difícil cravar de antemão, mas esse é o tipo de situação que pode abrir um flanco gigantesco para outras candidaturas à direita do espectro político. Seria também uma péssima notícia para a confortável liderança de Lula sobre Flávio nas pesquisas.
As opcionalidades eleitorais respeitam uma dinâmica de precificação diferente do modelo tradicional. Enquanto a grega teta confere valor maior na proporção direta do tempo de vida, o cenário político muitas vezes se define apenas à mercê dos vencimentos. Dentro da agenda eleitoral, ter muito tempo é ruim e não ter nenhum tempo é péssimo, mas ter um pequeno sopro incita o tempo que realmente importa, que é o tempo de agir.
Na política, as demais gregas acordam quando o teta se esvai. À beira da morte, é como se o teta transferisse a vitalidade que lhe resta, muito maior do que parece, para suas irmãs (delta, gama, vega). É o que tende a acontecer daqui até outubro.
O texto é de autoria de Rodolfo Amstalden, sócio-fundador e CEO da Empiricus. Ele é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.