Ibovespa reage a acordo EUA-Irã na semana do Copom
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear…
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A assinatura formal está prevista para sexta-feira, na Suíça. O entendimento, mediado pelo Paquistão, foi confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas.
O acordo prevê a remoção do bloqueio naval americano, a reabertura gradual da principal rota energética do Oriente Médio e o compromisso de cessação das operações militares, inclusive no Líbano. Apesar do alívio, pontos sensíveis ainda permanecem em aberto: o texto completo não foi divulgado, a extensão dos danos à infraestrutura petrolífera segue incerta, a retomada da navegação pode ocorrer gradualmente e novos focos de tensão ainda podem surgir.
A reação dos mercados foi positiva, com alta das bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, queda do petróleo, recuo do dólar e recuperação dos ativos de risco. Isso reflete a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.
No Brasil, o alívio externo ajuda a reduzir um risco inflacionário global, especialmente ao aliviar as pressões sobre o petróleo e abrir espaço para queda dos prêmios de risco na curva de juros e nos ativos domésticos. Esse alívio chega em um momento delicado para o Copom. O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas ficou acima do esperado, com a surpresa concentrada em preços administrados e alimentos. Os núcleos seguem em patamar desconfortável. A inflação esperada é de 5,3% neste ano e 4,1% em 2027, ambas com viés altista.
O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual. O comunicado do Copom será importante para calibrar as expectativas. A semana também traz dados relevantes, como as vendas no varejo de abril e o IBC-Br. No campo político-institucional, investidores acompanharão a pauta do Senado, com temas como a PEC da segurança, minerais críticos e a PEC da escala 6×1.
A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve ocorre em um ambiente menos confortável do que se imaginava. Ele assume em meio a riscos inflacionários impulsionados pela guerra, preços de energia, tarifas e uma economia americana resiliente. O acordo entre Estados Unidos e Irã melhora o pano de fundo para a política monetária, mas não deve alterar a decisão imediata do Fed, que deve manter os juros inalterados em junho. O mercado acompanhará o tom da primeira reunião sob Warsh, especialmente o gráfico de pontos e a sinalização sobre possíveis cortes neste ano.