IA impulsiona mercados e dólar sobe; veja o que pesa na bolsa
Os mercados globais voltaram a operar em alta nesta quinta-feira (25), impulsionados pela recuperação do setor de tecnologia. O movimento foi puxado pelos resultados expressivos da Micron e pelas projeções fortes da…
Os mercados globais voltaram a operar em alta nesta quinta-feira (25), impulsionados pela recuperação do setor de tecnologia. O movimento foi puxado pelos resultados expressivos da Micron e pelas projeções fortes da Qualcomm, que reacenderam o entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Os futuros do Nasdaq 100 avançaram, as bolsas asiáticas subiram e ações europeias de tecnologia, como Infineon, STMicroelectronics e ASML, registraram ganhos. Apesar disso, o caso da Nvidia serve de alerta: estar no centro da tese de IA também transforma a empresa em alvo, especialmente quando grandes clientes, como Microsoft e Alphabet, buscam controlar gastos e reduzir a dependência de fornecedores externos.
Os investidores seguem atentos ao PCE de maio nos Estados Unidos, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve. O petróleo recuou para níveis anteriores ao conflito entre EUA e Irã, refletindo a retomada gradual do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Os preços dos combustíveis ao consumidor, no entanto, ainda permanecem acima dos patamares pré-guerra.
Brasil
No Brasil, o Ibovespa fechou ontem em queda de 0,44%, aos 170.507 pontos, pressionado principalmente por Petrobras e Vale. O dia foi marcado pela forte queda do petróleo e pela continuidade das incertezas em torno da política monetária. No câmbio, o dólar subiu e encerrou a sessão a R$ 5,20, no maior patamar desde março. O mercado ainda repercute a ata do Copom e a percepção de que o Banco Central reconheceu a piora do quadro inflacionário, mas manteve aberta a possibilidade de continuidade dos cortes de juros.
A bolsa também segue pressionada pela saída de capital estrangeiro. O fluxo negativo foi de quase R$ 6,5 bilhões em junho até o dia 22, embora o saldo acumulado no ano ainda seja positivo em cerca de R$ 35,2 bilhões.
A agenda doméstica trouxe a inflação e o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central, ambos divulgados hoje. O IPCA-15 de junho desacelerou para 0,41%, abaixo do consenso de 0,44% e dos 0,62% registrados em maio. Houve surpresa baixista em alimentos e serviços subjacentes, além de melhora no qualitativo dos núcleos. Entretanto, a taxa acumulada em 12 meses acelerou para 4,80%, sinalizando que a inflação ainda pode ganhar tração nos próximos meses.
O RPM trouxe um diagnóstico cauteloso: a atividade econômica acelerou, o mercado de trabalho segue resiliente, a inflação ao consumidor superou o limite superior da meta e as expectativas registraram desancoragem adicional. Nas projeções do cenário de referência, a inflação sobe até o fim de 2026, permanece por mais de dois trimestres acima do teto do intervalo de tolerância e só volta a cair em 2027, com projeção de 3,7% no horizonte relevante de política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027. O destaque ficou para a projeção de inflação no primeiro trimestre de 2028, estimada em 3,2%, e não abaixo da meta de 3%, como o comunicado da semana passada parecia indicar.
Tecnologia
O setor de tecnologia voltou a ganhar tração depois que a Micron interrompeu a recente onda de vendas em semicondutores com resultados muito acima das expectativas e uma perspectiva que reforçou a narrativa em torno da inteligência artificial. O desempenho reacendeu o otimismo com a demanda por chips de memória e armazenamento usados em data centers, em um contexto de escassez de oferta e alta de preços. Os futuros do Nasdaq 100 avançaram mais de 2%.
A tecnologia continua ganhando peso em índices tradicionais, com a entrada da Alphabet no Dow Jones Industrial Average. Com Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia, Salesforce e outras companhias já presentes, quase um terço do Dow passa a estar relacionado ao setor de tecnologia. A Alphabet deve estrear com participação relevante, próxima de 5%.
No setor financeiro, os testes de estresse do Fed mostraram que os 32 maiores bancos dos EUA teriam capital suficiente para absorver US$ 708 bilhões em perdas mesmo em cenários severos. Isso reforça a percepção de solidez do sistema e abre espaço para anúncios de dividendos e recompras por JPMorgan, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley. O foco do mercado, porém, permanece no PCE.
Petróleo e clima
A queda do Brent para níveis anteriores ao início da guerra entre EUA e Irã reforça a percepção de que o risco geopolítico perdeu intensidade no mercado de petróleo. A melhora do sentimento foi impulsionada pelo avanço das negociações de paz, pela normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e pelo aumento da oferta proveniente do Oriente Médio e da África. Ainda assim, o processo diplomático permanece incompleto: a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) deve realizar inspeções no Irã, mas Teerã condiciona o acesso pleno às instalações nucleares a um acordo final com Washington.
A ameaça de um possível “super El Niño” começa a ganhar espaço no radar dos mercados, diante do risco de impactos sobre a produção global de alimentos e sobre os preços das commodities agrícolas. A Moreton Capital Partners busca captar US$ 500 milhões para um fundo voltado à negociação de ativos como milho da África do Sul, óleo de palma da Malásia e trigo da Austrália, com base na tese de que os mercados ainda subestimam os efeitos do fenômeno climático.