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Ibovespa: alívio geopolítico e estresse tecnológico

Os mercados globais refletiram uma combinação de alívio geopolítico e estresse no setor de tecnologia. As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, com Washington sinalizando progresso. O governo americano…

Ibovespa: alívio geopolítico e estresse tecnológico
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Os mercados globais refletiram uma combinação de alívio geopolítico e estresse no setor de tecnologia. As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, com Washington sinalizando progresso. O governo americano suspendeu por 60 dias as sanções ao petróleo iraniano e permitiu a venda da commodity em dólares. O fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz começou a se normalizar gradualmente.

Ainda existem ruídos relevantes, como a divergência entre americanos e iranianos sobre o retorno de inspetores nucleares e a confusão entre armadores sobre quais instruções seguir no estreito. A percepção de menor risco de uma interrupção prolongada da oferta global de energia ajudou a derrubar o petróleo. Na Europa, os PMIs preliminares de junho reforçaram um quadro de atividade fraca. O ouro recuou em meio ao fortalecimento do dólar.

O foco dos investidores se deslocou para a forte realização nas ações ligadas à inteligência artificial, especialmente semicondutores e big techs. A queda foi intensa na Ásia. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 10%. As ações da Samsung e da SK Hynix caíram mais de 12%. O Nikkei, do Japão, perdeu 3,55%, e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,82%.

A correção reflete dúvidas crescentes sobre a capacidade dos grandes hiperescaladores de sustentar o ritmo de investimentos em IA e transformar esse volume elevado de gastos em retornos proporcionais. Esse cenário ocorre em um ambiente ainda pressionado por juros mais altos e pela possibilidade de um Federal Reserve menos expansionista.

No Brasil, o Ibovespa recuperou parte das perdas recentes e fechou acima dos 170.000 pontos pela primeira vez desde 15 de junho. O movimento foi impulsionado pelo forte recuo dos juros futuros, após o Tesouro Nacional cancelar o leilão de NTN-Bs previsto para esta terça-feira. A decisão foi interpretada como uma resposta à deterioração recente do mercado de títulos públicos. O dólar também recuou, encerrando cotado a R$ 5,14.

O principal foco da semana está na comunicação do Banco Central. A ata da última reunião do Copom, que reduziu a Selic para 14,25%, trouxe elementos adicionais. O documento avalia que os riscos para a inflação são assimétricos para cima e realizou simulações com pausas em diferentes pontos do ciclo. O Relatório de Política Monetária, marcado para quinta-feira, passa a ter importância ainda maior para esclarecer os próximos passos.

Os mercados americanos tiveram desempenho misto. Embora o acordo no Oriente Médio continue frágil, os investidores seguem apostando em avanços nas conversas na Suíça. O petróleo devolveu parte do prêmio de risco. A saída de um pesquisador relevante do Google DeepMind para a Anthropic pressionou as ações da Alphabet. O Nasdaq caiu 1,3% e o S&P 500 recuou 0,4%, enquanto o Dow Jones avançou 0,3%.

Os Estados Unidos suspenderam por 60 dias as sanções ao petróleo iraniano, permitindo que o Irã venda sua produção em dólares pela primeira vez em décadas. A medida reduziu parte do prêmio de risco embutido nos preços do petróleo. Ainda há incertezas relevantes, já que Teerã contestou declarações americanas sobre novos compromissos, incluindo a autorização para inspeções nucleares.

Alan Greenspan, que presidiu o Federal Reserve entre 1987 e 2006 e morreu aos 100 anos, é lembrado como uma das figuras mais influentes da história econômica moderna. À frente do banco central americano por quase duas décadas, atravessou governos de ambos os partidos. Sua reputação foi construída pela capacidade de calibrar a política de juros com base em análises detalhadas de dados. Seu legado, no entanto, segue profundamente disputado.