Juros dos EUA: como Trump e Warsh afetam seu bolso em 2026
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, agora é presidido por Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. A primeira reunião da nova gestão trouxe um discurso mais duro e o…
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, agora é presidido por Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. A primeira reunião da nova gestão trouxe um discurso mais duro e o fim do chamado forward guidance, diretrizes que indicavam os próximos passos da política monetária. A mudança surpreendeu parte do mercado, que já começa a precificar uma alta nos juros americanos ainda este ano.
A taxa básica de juros dos EUA é a referência global de taxa livre de risco. Ela serve como ponto de partida para precificar praticamente qualquer investimento no mundo. Por isso, as decisões do Fed podem impactar o bolso do investidor brasileiro.
No Empiricus Podca$t deste sábado (11), os analistas Laís Costa e Matheus Spiess discutem o assunto. Eles explicam o que um investidor brasileiro pode esperar deste cenário.
Postura hawkish de Warsh
Laís Costa afirma que o tom mais hawkish do novo Fed pode ser uma forma de ganhar credibilidade. Segundo ela, Warsh estava sob escrutínio por ser indicado de Trump, que tem histórico de tentar influenciar instituições. O presidente atacava o antecessor de Warsh, Jerome Powell, pedindo cortes nos juros enquanto as taxas eram mantidas. “Ele entra com essa dívida de credibilidade a ser paga ao mercado”, diz Laís.
Matheus Spiess completa que Warsh não tem outra escolha a não ser soar hawkish. Para ele, se o objetivo é buscar juros mais baixos, é necessário conduzir a política monetária conforme o momento econômico pede. “Se você coloca alguém que pode ser mais leniente com a inflação, compromete a eficácia da política monetária”, afirma.
Retirada do forward guidance
A retirada do forward guidance chamou a atenção do mercado. Muitos questionam se o mercado perdeu uma bússola que dava mais previsibilidade e ajudava a ancorar as expectativas para os juros futuros.
Para Laís Costa, as consequências ainda são incertas. “É um pouco cedo, vamos ter que acompanhar para entender se adicionaremos um prêmio adicional na curva de juros, por conta de falta de informação ou previsibilidade”, afirma.
Matheus Spiess vê a decisão como potencialmente positiva. “O excesso de informação tem feito com que o mercado deixe de se apegar à economia real e aos dados em si. Isso aumenta a volatilidade relativa”, diz. Ele acredita que essa pode ser a abordagem de Warsh ao suprimir a comunicação.
Impacto no investidor brasileiro
Spiess explica que a taxa americana baliza os juros ao redor do mundo e dialoga com a realidade brasileira. “Corte de juros lá dá margem para cortes de juros aqui. E o contrário também”, afirma. O analista conclui que falar de juros americanos e Kevin Warsh parece distante, mas é bem próximo do investidor brasileiro.