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Ibovespa: IPCA de junho reforça corte da Selic e tensão no Oriente Médio

A semana começa com cautela redobrada após a nova escalada de conflitos entre Estados Unidos e Irã. Ao longo do fim de semana, ocorreram ataques e retaliações, com versões conflitantes sobre a…

Ibovespa: IPCA de junho reforça corte da Selic e tensão no Oriente Médio
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A semana começa com cautela redobrada após a nova escalada de conflitos entre Estados Unidos e Irã. Ao longo do fim de semana, ocorreram ataques e retaliações, com versões conflitantes sobre a situação do Estreito de Ormuz. O Irã afirma ter fechado a rota, enquanto os EUA sustentam que a passagem permanece aberta, embora o tráfego esteja muito abaixo do normal.

A deterioração do cenário aumentou as dúvidas sobre a continuidade do acordo interino firmado no mês passado. Os preços do petróleo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries voltaram a ser pressionados, devido ao risco de novos impactos sobre os custos de energia e a inflação.

Nos mercados asiáticos, o aumento da aversão ao risco foi sentido, com forte queda do Kospi após o recuo das ações da SK Hynix. Os investidores acompanharão nesta semana a divulgação do CPI nos Estados Unidos, os depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso e o início da temporada de balanços dos grandes bancos.

Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou em forte alta de 2,97%, aos 177.866 pontos. O movimento foi impulsionado pelo IPCA de junho, que avançou apenas 0,16%, abaixo da expectativa de 0,31%. A composição do índice foi favorável, com deflação em alimentos e bebidas e desaceleração dos núcleos e serviços subjacentes.

O resultado ampliou as apostas em um novo corte da Selic em agosto e contribuiu para a queda dos juros futuros, beneficiando as ações mais sensíveis à economia doméstica, como os bancos. O dólar recuou para R$ 5,1084, acumulando queda de 1,15% na semana.

Indicadores e inflação

A atenção se volta para os próximos indicadores de atividade, como o volume de serviços, vendas no varejo e o IBC-Br. Embora o IPCA tenha reforçado a possibilidade de um corte adicional da Selic, a inflação acumulada em 12 meses permanece em 4,64%. Riscos fiscais, externos e climáticos, somados à alta do petróleo, limitam o espaço para um ciclo mais amplo de redução dos juros.

Nos Estados Unidos, a agenda da semana será dominada pelos dados de inflação e pelos depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso. O CPI de junho será divulgado na terça-feira, seguido pelo PPI e pelo Livro Bege na quarta. A expectativa é de que o Fed preserve os juros em níveis elevados por mais tempo.

A temporada de balanços do segundo trimestre também começa. JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo abrem a agenda na terça-feira, seguidos por BlackRock e Morgan Stanley na quarta.

Geopolítica e mercados

A escalada entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os preços do petróleo e do gás. Os EUA atingiram centenas de alvos iranianos, enquanto Teerã respondeu com mísseis e drones contra bases americanas. O Irã afirma que a hidrovia do Estreito de Ormuz permanece fechada, enquanto Washington sustenta que a rota continua aberta.

No mercado acionário sul-coreano, o MSCI Korea passou a registrar oscilações extremas, com queda de 28% em relação à máxima de junho e sucessivos acionamentos de circuit breakers. O mercado atravessa seu período de maior volatilidade desde a crise asiática de 1998.

As exportações chinesas relacionadas à inteligência artificial tornaram-se um dos principais vetores de crescimento do comércio exterior do país. Os produtos de alta tecnologia ligados à IA vêm registrando sua maior contribuição para a expansão das exportações em duas décadas, enquanto setores tradicionais perdem espaço.