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Ibovespa: IPCA e ata do Copom movimentam semana

Os mercados globais iniciam a semana em tom misto, com o Oriente Médio novamente no centro das atenções. O Irã descartou, por enquanto, negociações diretas com os Estados Unidos e reiterou que…

Ibovespa: IPCA e ata do Copom movimentam semana
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Os mercados globais iniciam a semana em tom misto, com o Oriente Médio novamente no centro das atenções. O Irã descartou, por enquanto, negociações diretas com os Estados Unidos e reiterou que a reabertura do Estreito de Ormuz dependerá do cumprimento de novas condições por Washington, enquanto Donald Trump sinalizou disposição para aguardar que a pressão econômica leve Teerã a moderar sua postura.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, apoiadas pelo payroll mais fraco dos Estados Unidos e pela recuperação das ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial. Na China, a inflação veio abaixo das expectativas: o CPI desacelerou para 0,5% em julho na comparação anual, enquanto o PPI avançou 3,5%, também abaixo do consenso, refletindo principalmente o alívio dos preços de energia. No Japão, a ata do Banco do Japão revelou maior preocupação com os riscos inflacionários e uma discussão mais aberta sobre uma eventual aceleração da normalização monetária, especialmente diante da fraqueza do iene, dos custos de energia e dos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, as atenções agora se voltam para o CPI de julho, que será divulgado na quarta-feira e deverá desempenhar papel importante na recalibragem das expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Inflação e ata Copom ditam o ritmo da semana

No Brasil, o Ibovespa recuou 1,73% na sexta-feira, aos 172.513 pontos, acumulando queda de 3,08% na semana, pressionado por balanços corporativos mais fracos e pela preferência global por ações de tecnologia. O movimento contrastou com o câmbio, já que o dólar caiu 0,46%, para R$ 5,08.

No Boletim Focus desta segunda-feira, as projeções mostraram pouca alteração: o IPCA de 2026 passou de 5,03% para 5,02%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 permaneceram em 4,22% e 3,80%, respectivamente. Para a Selic, o mercado manteve as projeções de 13,75% ao fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028.

Com isso, as atenções agora se voltam para o IPCA de julho e para a ata do Copom, ambos divulgados nesta terça-feira. A expectativa é de desaceleração da inflação mensal de 0,16% para 0,03%, levando a taxa em 12 meses de 4,64% para 4,40%, novamente abaixo do teto da meta, embora os serviços sigam como ponto de atenção. A ata da última reunião do Copom, amanhã, deverá oferecer mais detalhes sobre o corte da Selic para 14% e sobre a possibilidade de nova redução em setembro, além da avaliação do Banco Central sobre mercado de trabalho, atividade e expectativas de inflação. Na bolsa, a temporada de resultados também segue intensa, com Embraer e JBS nesta segunda-feira e, nos próximos dias, B3, Banco do Brasil, CSN e Braskem.

Depois do emprego, a inflação

O mercado americano inicia a semana com a inflação novamente no centro das atenções, após um payroll de julho significativamente mais fraco do que o esperado. A economia destruiu 23 mil vagas no mês, ante a expectativa de criação de 80 mil postos, enquanto os dados de maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas o movimento refletiu uma redução da força de trabalho, enquanto o setor privado criou apenas 30 mil postos.

O relatório reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura menos cautelosa e reduziu as apostas em uma alta de juros já em setembro, aumentando ainda mais a importância do CPI de julho, divulgado na quarta-feira. A expectativa é de um relatório benigno, com avanço de 0,1% no CPI cheio e de 0,2% no núcleo. Na quinta-feira, será divulgado o PPI, que mede os preços ao produtor, enquanto os dados de vendas no varejo serão conhecidos na sexta-feira. A queda dos preços dos combustíveis deve contribuir para aliviar o índice cheio, embora ainda existam pressões vindas de outros componentes de energia, dos preços de importação e de determinados serviços.

O desafio permanece delicado: de um lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho favorece a manutenção dos juros; de outro, uma inflação acima das expectativas poderia reacender o debate sobre novas altas e reforçar os riscos de um cenário de crescimento mais lento com preços elevados.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo corporativo permanece construtivo. Com a maior parte da temporada de resultados já divulgada, 86% das empresas do S&P 500 superaram as expectativas, com lucros, em média, cerca de 29% acima do previsto, contribuindo para sustentar as bolsas em níveis recordes. Nesta semana, o foco volta a se concentrar nos setores de tecnologia e inteligência artificial, com a divulgação de resultados de empresas como CoreWeave, Super Micro Computer, Cisco e Applied Materials, além de eventos relacionados à infraestrutura de IA.

A combinação entre um CPI benigno e resultados sólidos no setor poderia prolongar o bom momento das ações, enquanto uma surpresa inflacionária ou números decepcionantes entre empresas ligadas à inteligência artificial tenderiam a elevar novamente a volatilidade.

Possível reabertura

A reabertura rápida do Estreito de Ormuz permanece incerta, apesar dos avanços nas negociações entre Irã e Omã sobre novas rotas de navegação. Teerã afirma que as conversas estão em estágio final, mas condiciona a liberação integral da passagem a uma série de concessões por parte dos Estados Unidos, incluindo compensações pelos danos causados pela guerra, retirada de ameaças militares, fim do bloqueio naval, levantamento de sanções e liberação de ativos congelados.

Donald Trump, por sua vez, sinalizou preferência por limitar a exposição militar direta e intensificar a pressão econômica, apostando que a deterioração das condições internas no Irã possa levar o regime a moderar suas exigências. Enquanto isso, o bloqueio continua afetando uma das principais rotas energéticas do mundo (cerca de um quarto do comércio marítimo de petróleo e por aproximadamente um quinto do gás natural).

As tensões regionais, no entanto, permanecem elevadas e dificultam uma solução mais abrangente. Os houthis atacaram a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, poucos dias depois de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmarem um pacto de defesa mútua, enquanto os Estados Unidos mantêm operações de bloqueio e fiscalização marítima na região. Paralelamente, Benjamin Netanyahu rejeitou o plano de paz para Gaza apoiado por Trump, ampliando as divergências entre Washington e o governo israelense.

O quadro reforça que, embora ainda exista espaço para acordos pontuais relacionados à navegação, uma normalização mais duradoura do Oriente Médio permanece distante, mantendo elevado o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo e aos mercados globais.

Nova aliança militar

Turquia, Arábia Saudita e Paquistão assinaram um acordo tripartite de defesa mútua, pelo qual um ataque contra qualquer um dos três países será considerado um ataque aos demais. O pacto foi firmado em meio ao aumento das tensões regionais e pode alterar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. A aliança ocorre em um momento de ataques dos houthis a infraestruturas petrolíferas sauditas e de negociações ainda em aberto sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

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