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Renúncia na Vale derruba ações: hora de investir?

Após pressões da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil (BBAS3) e maior acionista da Vale (VALE3), Daniel Stieler renunciou ao cargo de Presidente do Conselho de Administração da mineradora na…

Renúncia na Vale derruba ações: hora de investir?
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Após pressões da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil (BBAS3) e maior acionista da Vale (VALE3), Daniel Stieler renunciou ao cargo de Presidente do Conselho de Administração da mineradora na última segunda-feira (6). Desde o anúncio, as ações da Vale (VALE3) acumularam queda próxima de 4,8%, considerando o preço de fechamento da última sexta-feira (10).

Mudanças no conselho podem aumentar a percepção de risco dos investidores, especialmente quando levantam dúvidas sobre o futuro da companhia. Nesses momentos, surge a dúvida: a tese da Vale continua de pé? E como o investidor pode enxergar a situação?

Para Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research, o desempenho da Vale na última semana está mais relacionado ao seu resultado operacional do que à renúncia de Daniel Stieler. O mercado prevê resultados mais pressionados para a companhia no segundo trimestre de 2026, por conta do aumento de custos, em parte devido à inflação gerada pelo conflito no Oriente Médio.

Na visão do analista, a mudança no conselho da Vale pode não ser “tão ruim”. “Existe sim, essa questão de a Previ ter pedido a saída antes do prazo. Mas, ao mesmo tempo, ela mesma indicou um conselheiro independente e bastante respeitado”, afirmou.

Hungria aponta que a Vale continua forte no mercado de ações e, portanto, é interessante para o investidor colocar a empresa no radar. Para o analista, além de ser uma das maiores mineradoras globais e líder na produção de minério de ferro, a Vale possui exposição relevante a cobre e níquel, o que traz opcionalidade e diversidade à tese.

Hungria ressalta que o minério de ferro, um dos principais pilares da empresa, tem se mostrado mais resistente do que o esperado, estabelecendo-se no mercado por uma oferta mais restrita, com níveis mais baixos de disponibilidade para extração e venda, e com maior diversificação geográfica. Já o cobre e o níquel vêm ganhando relevância no mercado e “podem destravar valor ao longo do tempo, em um movimento ainda pouco refletido no valuation atual”, segundo o analista. A Vale também está entre os produtores de menor custo destes metais, o que traz mais segurança à tese.

A forte geração de caixa também é um fator relevante na discussão, que dá um “potencial de retorno ao acionista próximo de dois dígitos, sustentado por dividendos recorrentes e eventuais distribuições adicionais”, ressalta o analista. Porém, vale destacar que qualquer cenário precisa ser analisado pelos investidores com cautela, especialmente em relação a uma empresa como a Vale.