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Ibovespa sob pressão com fiscal e eleições; veja destaques

Os mercados globais operam em leve alta nesta quarta-feira, em compasso de espera pela divulgação do CPI de julho nos Estados Unidos, indicador central para calibrar as expectativas em relação aos próximos…

Ibovespa sob pressão com fiscal e eleições; veja destaques
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Os mercados globais operam em leve alta nesta quarta-feira, em compasso de espera pela divulgação do CPI de julho nos Estados Unidos, indicador central para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. Os futuros de Nova York avançam, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, lideradas pelo Kospi, beneficiado pela valorização das ações de semicondutores e por resultados corporativos que reforçaram a confiança na continuidade dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

Na Europa, o movimento é mais moderado, com os investidores também atentos aos indicadores de inflação. A geopolítica, por sua vez, continua sendo o principal foco de risco. Apesar de Paquistão e Catar sinalizarem avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã envolvendo o Estreito de Ormuz, novos ataques no Bab-el-Mandeb e no Golfo de Omã mostram que o cenário permanece frágil, enquanto Teerã condiciona a reabertura do estreito a concessões mais amplas por parte de Washington.

Sob pressão

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira em forte queda de 2,50%, aos 167.875 pontos, menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, acumulando a sexta sessão consecutiva de perdas. O movimento refletiu uma combinação de maior aversão ao risco global, saída de capital estrangeiro, preocupações com o quadro fiscal e aumento da volatilidade eleitoral.

Um banco americano reduziu a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra, citando justamente o ambiente político como fator de cautela, enquanto os bancos estiveram entre as principais pressões negativas sobre o índice. A proximidade do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, também aumenta a sensibilidade do mercado a alianças partidárias, pesquisas e sinais sobre a condução fiscal futura.

No campo macroeconômico, a ata do Copom reforçou que a desaceleração da atividade, do mercado de trabalho e da inflação justificou o corte da Selic de 14,25% para 14%, mantendo aberta a possibilidade de nova redução de 25 pontos-base em setembro, embora expectativas desancoradas, inflação de serviços elevada e riscos fiscais recomendem cautela. O IPCA avançou 0,07% em julho, desacelerando para 4,44% em 12 meses, mas com composição menos favorável do que o esperado, especialmente em serviços, apesar da deflação de alimentos e da queda do índice de difusão.

Já a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou estabilidade de 0,0% em junho, após recuo de 0,2% em maio, enquanto o crescimento anual acelerou de 0,7% para 2,0%, sinalizando uma atividade ainda resiliente, mas sem avanço na margem. Em conjunto, os dados reforçam a perspectiva de continuidade gradual do ciclo de cortes, mas ainda sem espaço para uma flexibilização mais agressiva da política monetária.

Digerindo a inflação

Nos Estados Unidos, o CPI americano de julho é o principal destaque desta quarta-feira e deverá ser determinante para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. O consenso aponta para alta de 0,1% no índice cheio e de 0,2% no núcleo, levando as taxas acumuladas em 12 meses para 3,4% e 2,5%, respectivamente. Uma leitura em linha com as expectativas reforçaria a percepção de menor persistência inflacionária, mas dificilmente encerraria o debate sobre a decisão de setembro, sobretudo porque o núcleo do PCE deve permanecer próximo de 3,3% ao ano.

O mercado chega à divulgação em compasso de espera, após quedas de 0,3% no Dow Jones e no S&P 500 e de 0,6% no Nasdaq, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 e 10 anos recuaram para 4,22% e 4,68%, respectivamente. O principal risco continua sendo uma surpresa altista na inflação, especialmente no setor de serviços, em um contexto no qual o petróleo voltou a se aproximar de US$ 90 por barril diante das dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã e das persistentes restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz.

No mercado de trabalho, a queda da taxa de participação na força de trabalho também merece atenção. O indicador recuou para 61,4% em julho, refletindo principalmente a aposentadoria de trabalhadores mais velhos e políticas migratórias mais restritivas, fatores que reduzem a oferta disponível de mão de obra e podem ampliar, ao longo do tempo, o papel da tecnologia e da inteligência artificial na sustentação dos ganhos de produtividade.

Ao mesmo tempo, o índice de confiança das pequenas empresas da NFIB avançou para 99,8, acima das expectativas, acompanhado por uma melhora nos planos de contratação. O resultado sugere que a fraqueza recente na criação de vagas ainda não representa uma deterioração disseminada da demanda por trabalhadores. No campo político, as primárias realizadas no Upper Midwest produziram resultados mistos entre as alas moderada e progressista do Partido Democrata, além de um desempenho desigual entre os candidatos apoiados por Donald Trump, mantendo em aberto disputas estaduais e legislativas importantes às vésperas das eleições de novembro.

Disrupção estrutural

O governo Trump projeta que as interrupções no fornecimento de petróleo provocadas pela guerra com o Irã alcancem cerca de 600 mil barris por dia até o fim de 2027, em um contexto de persistentes restrições aos embarques pelo Estreito de Ormuz. Segundo a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões no último trimestre de 2025.

Os efeitos dessa disrupção já aparecem nas projeções de preços: a agência elevou suas estimativas para a gasolina e o diesel em 2026 e também revisou para cima a expectativa para os preços da gasolina ao consumidor em 2027. Embora sinais de avanço nas negociações tenham proporcionado algum alívio momentâneo, o petróleo americano voltou a superar US$ 83 depois que o Irã reiterou que manterá o estreito fechado até que suas exigências sejam atendidas.

Até aqui, o mercado global de petróleo conseguiu absorver uma parcela relevante desse choque graças à combinação de demanda mais fraca, aumento da produção em outras regiões e utilização de estoques, fatores que evitaram uma escalada ainda mais intensa dos preços. O ponto de atenção é que essa margem de segurança vem diminuindo.

Como destacam Jean-Marc Natal e Azim Sadikov, em artigo recente do FMI, uma precificação inadequada do risco geopolítico no mercado de energia pode tornar a economia global mais vulnerável a novos choques. Isso ocorre porque preços que não refletem plenamente os riscos existentes reduzem os incentivos para novos investimentos e para a expansão da capacidade de oferta, deixando o sistema energético menos preparado para absorver futuras rupturas.

Ajuste de política econômica

O Japão atravessa um momento relevante de ajuste em sua política econômica, marcado pela divergência entre Scott Bessent e a primeira-ministra Sanae Takaichi em relação aos próximos passos do Banco do Japão. Enquanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos defende juros mais elevados como forma de oferecer maior sustentação ao iene, que vem enfrentando pressão no mercado cambial, a primeira-ministra demonstra cautela quanto a uma normalização mais rápida da política monetária, avaliando os possíveis impactos sobre o crescimento e o endividamento público do país. A decisão do BC japonês é aguardada com atenção pelos investidores, que buscam sinais sobre o ritmo e a magnitude de eventuais ajustes nos juros.

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