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Selic a 14% e IPCA+8%: Risco de calote ou lucro?

Os primeiros meses de 2026 no Brasil foram marcados por otimismo com a Bolsa, com o Ibovespa atingindo a máxima histórica de quase 200 mil pontos em abril, além do início de…

Selic a 14% e IPCA+8%: Risco de calote ou lucro?
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Os primeiros meses de 2026 no Brasil foram marcados por otimismo com a Bolsa, com o Ibovespa atingindo a máxima histórica de quase 200 mil pontos em abril, além do início de um ciclo de corte de juros amplamente esperado. No entanto, na metade de junho, o cenário mudou: o Ibovespa caiu 15% desde o topo, e os cortes na taxa Selic são postos em xeque por grande parte do mercado.

A mudança de humor é frequentemente atribuída ao conflito no Oriente Médio, que gerou pressão inflacionária e aversão ao risco global. Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o maior peso nas incertezas econômicas do Brasil vem de dentro de casa. “Não faz sentido o Brasil ter juros tão altos assim, e só os tem por conta de um fiscal desequilibrado”, afirmou Spiess em participação no programa Giro do Mercado, do Money Times.

Com a inflação pressionada e a Bolsa tomada por aversão ao risco, é possível encontrar títulos públicos negociados a uma taxa de IPCA + 8% ao ano. Spiess alerta que essa taxa não deve ser vista apenas como oportunidade. “O fato de termos títulos longos do governo brasileiro oferecendo IPCA + 8% ao ano não é sustentável, não é normal, não é saudável, e já começa a embutir um prêmio de risco de calote.”

Segundo o analista, o Banco Central, na falta de uma âncora fiscal que o governo não apresentou, faz um trabalho duplo com custo elevado para a economia real. “Por conta da pressão inflacionária da guerra, mas por conta da irresponsabilidade fiscal doméstica também.” O Copom pode pausar o ciclo de cortes na Selic. O mercado projetava uma Selic terminal de 12% ao ano, mas o último Boletim Focus indica 13,25% ao ano. “Se chegar a 14% na conjuntura atual, já é lucro”, afirmou Spiess.

A pauta do ajuste fiscal no Brasil foi ofuscada por temas como guerra e eleições, mas o governo mantém um histórico de contas públicas estouradas. “Continua sendo um problema gigantesco no Brasil. Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”, disse Spiess. Para ele, o ajuste deve vir em 2027, independentemente de quem estiver no governo.

Sobre o Oriente Médio, Spiess acredita em uma normalização do conflito em breve, com um acordo que libere o Estreito de Ormuz no curto prazo. No entanto, o preço do barril de petróleo deve carregar um prêmio geopolítico pelos próximos anos. “Você já ‘disruptou’ a cadeia permanentemente, vai demorar anos para reconstruir a infraestrutura destruída.”

Diante do cenário incerto, o investidor pode se posicionar em ativos adequados para proteger a carteira e buscar lucros. Matheus Spiess e os analistas da Empiricus acompanham a conjuntura para oferecer recomendações de investimento. O Empiricus+, plataforma de assinatura da casa, oferece acesso a recomendações em ações, BDRs, fundos imobiliários e estratégias de renda extra, com teste gratuito por 30 dias.