Bitcoin (BTC) mostra primeiros sinais de virada
O ambiente macroeconômico vem melhorando gradualmente, e os dados mais recentes reforçaram essa trajetória. O mercado de trabalho americano mostrou sinais de desaceleração, enquanto os indicadores de inflação ao consumidor e ao…
O ambiente macroeconômico vem melhorando gradualmente, e os dados mais recentes reforçaram essa trajetória. O mercado de trabalho americano mostrou sinais de desaceleração, enquanto os indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor vieram abaixo das expectativas. Em conjunto, essas divulgações reduziram a pressão por novas altas de juros e tornaram o cenário mais favorável para o Bitcoin (BTC) e os demais ativos de risco.
O Bitcoin já começou a responder a essa melhora. O ativo voltou a formar fundos progressivamente mais altos, apresentou avanço nos indicadores de momento e recebeu os primeiros sinais de retomada dos fluxos para os ETFs à vista. Embora ainda permaneça dentro da faixa entre US$ 60 mil e US$ 66 mil, o quadro abre espaço para considerar um aumento gradual de risco no portfólio.
A cautela, no entanto, continua necessária. Parte do alívio inflacionário esteve relacionada à queda recente do petróleo, favorecida pela redução das tensões no Oriente Médio. Como a commodity voltou a subir, um novo choque de energia poderia pressionar novamente a inflação, alterar as expectativas para os juros e reduzir o apetite por ativos de risco.
Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos vieram abaixo das expectativas, reforçando a leitura de moderação das pressões de preços. Enquanto o primeiro acompanha os custos enfrentados pelas famílias, o segundo mede a evolução dos preços ao longo da cadeia produtiva. O comportamento conjunto dos dois indicadores aponta para um alívio mais disseminado da inflação.
Antes da divulgação dos dados, o mercado chegou a atribuir mais de 40% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base nos juros norte-americanos já na reunião de julho. Com a inflação abaixo do esperado, essa possibilidade perdeu força, e a manutenção dos juros voltou a concentrar a maior parte das apostas. A redução do risco de um aperto monetário adicional melhora o ambiente de liquidez e favorece o Bitcoin e os demais ativos de risco.
A principal ressalva está no petróleo. Parte do alívio inflacionário foi favorecida pela queda recente da energia, mas a commodity voltou a subir em meio à volta do atrito entre Estados Unidos e Irã. Caso esse movimento ganhe força, os custos de produção e transporte podem voltar a pressionar a inflação, alterar novamente as expectativas para os juros e limitar o apetite por risco. Por isso, o petróleo permanece como o principal ponto de atenção no cenário macroeconômico.
A melhora do macro tem se materializado de forma clara no preço do Bitcoin. Desde a mínima de US$ 57,9 mil registrada no início de julho, o ativo passou a formar fundos progressivamente mais altos. Isso significa que os compradores estão entrando em níveis cada vez mais elevados a cada recuo.
Os indicadores de momentum reforçam essa leitura. No caso do Bitcoin, as médias de curto prazo superaram as de períodos mais longos, indicando melhora no ritmo das últimas semanas. O dado sugere que o ativo pode estar deixando uma fase de estabilização, embora ainda não confirme, isoladamente, a continuidade da alta. O Bitcoin voltou a performar melhor do que o S&P 500, sinal de que a recuperação não é só uma maré favorável a todo ativo de risco, mas dinheiro procurando exposição específica a cripto.
A mesma melhora aparece nos papéis da Strategy, a maior tesouraria de Bitcoin do mundo: sua ação preferencial voltou à casa dos US$ 90 e sua ação ordinária (MSTR) parou de perder valor frente ao próprio Bitcoin. Depois de semanas em que os ETFs de Bitcoin à vista funcionaram como um vento contrário, julho começou a registrar os primeiros dias de entradas líquidas. Mesmo assim, o Bitcoin continua preso na faixa entre US$ 60 mil e US$ 66 mil.
No agregado, o cenário melhorou o suficiente para começar a ampliar a exposição ao risco, ainda que de forma comedida. A economia americana continua saudável, a inflação deu sinais de arrefecimento e o preço do Bitcoin evolui de maneira construtiva, apesar de ainda permanecer dentro da faixa de consolidação. Os próximos fechamentos do Bitcoin serão importantes. Um fechamento acima dos US$ 66 mil, acompanhado pela continuidade da formação de fundos mais altos, reforçaria a leitura de que a melhora está se transformando em tendência. Já um fechamento na região dos US$ 62,3 mil devolveria o ativo ao movimento de reversão à média que vinha sendo acompanhado.