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Bitcoin ensaia alta, mas 2 riscos exigem cautela

Nas últimas semanas, o bitcoin (BTC) apresentou sinais de melhora e chegou a ser negociado a US$ 64 mil na última quinta-feira (30), acumulando uma recuperação de cerca de 12% desde o…

Bitcoin ensaia alta, mas 2 riscos exigem cautela
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Nas últimas semanas, o bitcoin (BTC) apresentou sinais de melhora e chegou a ser negociado a US$ 64 mil na última quinta-feira (30), acumulando uma recuperação de cerca de 12% desde o fim de junho. No entanto, dois eventos relevantes podem influenciar o mercado das criptomoedas, tanto para baixo quanto para cima, a partir de agora.

Alta do petróleo preocupa o cenário macroeconômico

Apesar da melhora recente do bitcoin, a alta do petróleo voltou a ser um risco para o cenário macroeconômico. Com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, ficou novamente ameaçado. A redução do tráfego de embarcações na região tem pressionado os preços de energia.

O tipo Brent, referência internacional para o preço do petróleo, deve encerrar o mês de julho com alta acumulada de cerca de 20%, o maior ganho desde março. Na última sexta-feira (31), era cotado a aproximadamente US$ 87. A energia afeta diretamente a inflação e aumenta os custos com produção, transporte e distribuição das empresas.

Caso o petróleo permaneça em alta por mais tempo, o mercado pode revisar suas expectativas de inflação e, consequentemente, as curvas de juros ao redor do mundo. Isso tende a pressionar ativos de risco mais sensíveis às condições financeiras, como o bitcoin.

Clarity Act segue travado no Senado americano

Outro fator que pode interferir no mercado de criptomoedas nos próximos meses é o Clarity Act, projeto que busca criar um marco regulatório para os criptoativos nos Estados Unidos. O texto estabelece regras para corretoras, custodiantes e outros participantes do setor, com o objetivo de reduzir uma das principais barreiras à entrada institucional: a dificuldade de mensurar riscos jurídicos e operacionais associados aos ativos digitais.

O Clarity Act tem o apoio da indústria cripto e da Casa Branca, mas enfrenta resistências no Senado e dos bancos. No Senado, os democratas defendem a inclusão de uma cláusula de ética mais rígida para autoridades eleitas. Já os bancos querem incluir no texto uma passagem que proíba exchanges de criptomoedas de oferecerem rendimentos em stablecoins para seus clientes, alegando que isso poderia reduzir os depósitos bancários e afetar a oferta de crédito.

Ainda que o Clarity Act tenha avançado nas últimas semanas, o projeto segue travado, principalmente por conta do calendário. O último dia útil antes do recesso do Senado será em 7 de agosto, e essa limitação de prazo deixa “menos espaço para revisar o texto, formar uma coalizão e concluir a votação”, afirmam os especialistas.

Esses dois fatores podem desencadear cenários opostos para os investidores de criptomoedas, com chances de vermos fatores antagônicos acontecendo ao mesmo tempo. A alta do petróleo pode intensificar a aversão ao risco, que já está presente no mercado nos últimos meses. Por outro lado, uma queda poderia contribuir para “a melhora da inflação e para um ambiente mais favorável aos ativos de risco”, dizem os especialistas.

Já a aprovação do Clarity Act poderia acelerar a entrada de capital institucional no setor, o que é visto como positivo. Mas se o projeto continuar parado no Senado americano por mais tempo, o mercado pode continuar estagnado.

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