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Fed mantém juros e Bitcoin reage: entenda o impacto

Fed mantém juros nos EUA, mas mercado reage por conta própria O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros do país na faixa de 3,50%…

Fed mantém juros e Bitcoin reage: entenda o impacto
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Fed mantém juros nos EUA, mas mercado reage por conta própria

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na última quarta-feira (29). A decisão foi tomada por 9 votos a 3, com os três votos contrários pedindo um aumento, e não um corte, na taxa.

A informação mais relevante da semana, no entanto, não é a decisão em si, mas o que ela revela sobre o futuro. A direção dos juros americanos se tornou menos previsível. Na sexta-feira (31), os contratos futuros da bolsa de Chicago indicavam 81% de chance de o Fed elevar os juros na reunião de setembro. Uma semana antes, essa probabilidade era inferior a 53%.

O banco central não alterou os juros, mas o custo do dinheiro no mercado subiu. O próprio presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou em coletiva que o mercado agiu por conta própria, sem uma ação direta da instituição.

Divisão interna e mudança na comunicação

A reunião do comitê de política monetária (FOMC) terminou com a taxa inalterada, mas com o placar mais dividido em um longo período. Os diretores Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram a favor de um aumento de 0,25 ponto percentual. Essa dissidência é um sinal diferente do que o mercado via desde 2024, quando o debate interno era sobre quando e quanto cortar os juros.

Warsh, que assumiu a presidência do Fed há nove semanas, mudou a comunicação do banco. O comunicado oficial foi reduzido para cerca de 130 palavras, contra mais de 300 em gestões anteriores, e deixou de indicar os próximos passos da política monetária. Na quarta-feira, as apostas do mercado estavam divididas entre 68% de manutenção e 32% de alta.

Warsh confirmou que a mudança é intencional, afirmando que pediu uma “boa briga de família” sobre os votos contrários. Ele também foi direto sobre a meta de inflação: “não existe meta implícita, não existe meta flexível. Existe uma meta, e ela é de 2%”.

Juros de mercado sobem no mundo

Mesmo sem a ação do Fed, os juros negociados no mercado subiram de forma expressiva entre a reunião de junho e a desta semana. Warsh classificou o movimento como um dos mais relevantes das últimas duas décadas. “Não fizemos muita coisa em 42 dias. Os mercados fizeram bastante”, disse.

O título americano de dez anos está em 4,65%, 25 pontos-base acima de um mês atrás. Na zona do euro, a curva de referência subiu 15 pontos-base, para 3,16%. No Japão, o título de dez anos passou de 2,71% para 2,78%.

Nos Estados Unidos, quase toda a elevação veio do juro real, que subiu 26 pontos-base em um mês, para 2,44%. A inflação embutida nos preços dos títulos ficou estável em 2,20%. A pressão veio de dois fatores: o preço do petróleo, afetado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, e o alto volume de capital consumido por investimentos em inteligência artificial.

Impacto no Bitcoin

O Bitcoin (BTC) chegou a US$ 66.840 em 21 de julho, mas não sustentou o rompimento e voltou para a faixa entre US$ 63 mil e US$ 65 mil, fechando em US$ 64.722 na quinta-feira. É o terceiro teste dessa região em dois meses. Como o Bitcoin não paga juros nem dividendos, um título seguro rendendo 2,44% acima da inflação aumenta o custo de carregar um ativo que não gera retorno.

A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin, não compra o ativo desde 22 de junho, uma pausa de cinco semanas. No período, a empresa vendeu 3.588 BTC (cerca de US$ 216 milhões) para reforçar o caixa. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 8,2 bilhões no segundo trimestre, valor que vem da regra contábil que obriga a reavaliação dos bitcoins pelo preço de mercado, sem que as moedas tenham sido vendidas.

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