Notícias

EUA confirma tarifaço de 25% sobre importações brasileiras

Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte das importações brasileiras, a partir de 22 de julho. A medida, baseada na Seção 301 da Lei…

EUA confirma tarifaço de 25% sobre importações brasileiras
07

Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte das importações brasileiras, a partir de 22 de julho. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, atinge milhares de produtos, como vestuário, calçados, máquinas agrícolas e industriais, papel, aço e equipamentos elétricos. Uma lista com mais de 2.100 exceções foi mantida, incluindo café, carne bovina, produtos agropecuários, petróleo, celulose, aeronaves, medicamentos e insumos farmacêuticos.

O governo brasileiro classificou a medida como injustificada e afirmou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio e à Lei de Reciprocidade Econômica. A avaliação predominante é de que o impacto macroeconômico tende a ser limitado, devido à ampla lista de exceções e à possibilidade de redirecionar exportações para outros mercados, como a China. Os Estados Unidos respondem por cerca de 11% das vendas externas brasileiras, o que equivale a menos de 2% do PIB. O principal risco é uma segunda investigação sobre trabalho forçado, que pode elevar a tarifa para 37,5%.

Mercados e atividade econômica

No Brasil, o Ibovespa recuou 0,36% na quarta-feira, mantendo-se acima dos 176 mil pontos. A pressão veio do ambiente doméstico, com baixa liquidez e desconforto com os cenários fiscal e eleitoral. A pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que tem 37%. O dólar encerrou o dia praticamente estável.

Na atividade econômica, a Pesquisa Mensal de Serviços veio abaixo das expectativas, reforçando a percepção de desaceleração no segundo trimestre. As vendas no varejo mostraram recuperação após a queda de abril, mas também ficaram aquém do esperado. No campo fiscal, as preocupações continuam com a PEC da aposentadoria especial dos agentes de saúde, com impacto estimado de R$ 27 bilhões em dez anos, e o risco de novas despesas obrigatórias.

Petróleo e mercados globais

Os preços do petróleo se estabilizaram após três sessões consecutivas de alta, diante da intensificação dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã e do aumento dos riscos no Estreito de Ormuz. Washington atingiu um petroleiro sancionado nas proximidades do principal terminal de exportação iraniano, enquanto Teerã descartou a retomada das negociações. O risco geopolítico continua elevado.

Os mercados globais operam de forma mista. As bolsas asiáticas foram pressionadas, especialmente na Coreia do Sul, onde o Kospi recuou 6,37%, com perdas de Samsung Electronics e SK Hynix. Na Europa, as bolsas também recuam, enquanto os investidores aguardam dados de vendas no varejo e do mercado de trabalho americano.

Setor de tecnologia

As ações das chamadas Sete Magníficas voltaram a ocupar o centro das atenções. O ETF Roundhill Magnificent Seven avançou 2,3% na quarta-feira e acumula alta superior a 7% em julho. Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft registraram ganhos expressivos, beneficiadas pela migração de capital em períodos de pressão sobre fabricantes de chips. O movimento ajudou a sustentar o S&P 500, mesmo com o índice de semicondutores PHLX acumulando queda de 13% no mês.