Ibovespa: IPCA-15 e IA da China pressionam mercado
O Ibovespa opera nesta terça-feira (28) atento ao IPCA-15 de julho, que veio abaixo do esperado, e a uma nova rodada de aversão ao risco nos mercados globais. O movimento é puxado…
O Ibovespa opera nesta terça-feira (28) atento ao IPCA-15 de julho, que veio abaixo do esperado, e a uma nova rodada de aversão ao risco nos mercados globais. O movimento é puxado pelos avanços tecnológicos da China e pelas dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial (IA).
O setor de semicondutores liderou as perdas. A notícia de que uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de equipamentos de litografia pressionou concorrentes globais, como a ASML. Isso reforçou a percepção de que os fabricantes locais podem reduzir gradualmente sua dependência de tecnologia estrangeira.
Ao mesmo tempo, os mais de US$ 750 bilhões em contratos de infraestrutura de IA associados à Nvidia ampliaram as preocupações com o nível de endividamento e o retorno sobre o capital investido. O impacto foi mais intenso na Ásia e evidenciou uma rápida mudança no sentimento dos investidores, que passaram a exigir maior clareza sobre a capacidade de monetização dos elevados gastos na cadeia.
Em paralelo, a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduziu temporariamente o prêmio de risco nos preços do petróleo e favoreceu os títulos do Tesouro americano. Donald Trump afirmou que as conversas diplomáticas estão avançando, mas alertou que as operações militares poderão ser retomadas caso as negociações fracassem. Hoje, o presidente americano se encontra com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Apesar da forte queda nas cotações do petróleo, o risco de uma nova escalada permanece elevado. Esse ambiente de incerteza antecede uma semana decisiva, marcada pela reunião do Federal Reserve, que começa hoje e terá seu resultado divulgado amanhã, além da publicação dos balanços das principais empresas de tecnologia nos próximos dias.
IPCA-15 abaixo do esperado
No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos, beneficiado pela melhora do apetite ao risco global. O movimento, no entanto, ocorreu com volume financeiro abaixo da média e pressionou as ações das companhias petrolíferas. O dólar avançou 0,60%, para R$ 5,11, refletindo a ausência de suporte das commodities.
Na agenda corporativa, as atenções se voltam para o relatório de produção e vendas da Petrobras, na noite de hoje. No campo macro, o destaque é o IPCA-15 de julho. O indicador avançou apenas 0,06% no mês e acumulou alta de 4,52% em 12 meses, abaixo das projeções que apontavam alta próxima de 0,22% e inflação acumulada de 4,68%.
A composição do índice apresentou melhora, com menor pressão dos núcleos de inflação e dos bens industriais, embora serviços, energia elétrica e passagens aéreas ainda permaneçam elevados. O dado reforça um ambiente mais favorável para a próxima reunião do Copom. A expectativa é de um corte de 25 pontos-base na próxima semana, mas a discussão sobre uma redução de 50 pontos-base pode voltar à mesa, ainda que a probabilidade desse movimento continue baixa.
O cenário comercial também ganhou relevância após o Brasil acionar a OMC contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem atingir 23,1% das exportações brasileiras, enquanto o governo busca preservar o diálogo diplomático em meio à escalada das tensões.
Mercados americanos e semana de balanços
Os mercados americanos iniciaram a segunda-feira em alta, favorecidos pela queda do petróleo. O alívio, no entanto, perdeu força ao longo do pregão. As ações de semicondutores recuaram de forma acentuada, levando o Nasdaq a encerrar o dia em queda de 0,2%, enquanto o S&P 500 permaneceu praticamente estável e o Dow Jones avançou 0,5%, ou 263 pontos.
O rendimento dos Treasuries de dez anos recuou para 4,6%. As atenções se voltam para uma semana movimentada no calendário corporativo, com quase um terço do S&P 500 divulgando seus balanços, entre elas Microsoft, Meta, Apple e Amazon.
Na quinta-feira, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) deverá registrar queda de 0,1% na comparação mensal e desaceleração de 4,1% para 3,6% em doze meses. O núcleo do indicador é projetado em alta de 0,2% no mês e de 3,3% na comparação anual. No mesmo dia, a estimativa preliminar do PIB do segundo trimestre deverá apontar crescimento anualizado de 2,5%, acima dos 2,1% no trimestre anterior, sustentado pelo consumo e pelos investimentos em IA.