Lula, Apple vs Nvidia e petróleo: o que move a Bolsa hoje
O governo Lula começou a ouvir os setores afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos, enquanto avalia os riscos econômicos e políticos de uma eventual retaliação. Com a proximidade das…
O governo Lula começou a ouvir os setores afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos, enquanto avalia os riscos econômicos e políticos de uma eventual retaliação. Com a proximidade das eleições, bancos e gestoras intensificam o acompanhamento das convenções partidárias e das pesquisas, que já devem começar a captar a percepção do eleitorado sobre o tema.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda de 0,20%, aos 173.371 pontos, em uma sessão de baixa liquidez. O mercado oscilou entre sinais de alívio, diante da possibilidade de negociações entre Estados Unidos e Irã, e uma nova rodada de apreensão após declarações mais duras de Donald Trump, em um ambiente que também pressionou Wall Street.
No campo doméstico, as atenções se voltam para o relatório de produção e vendas da Vale, a prévia do IGP-M, o leilão do Tesouro e as próximas falas de Gabriel Galípolo. Esses fatores podem oferecer pistas sobre a trajetória da Selic em meio ao choque externo provocado pela guerra e após a divulgação de dados mais fracos de atividade na semana passada.
Para o mercado, esse ambiente se soma ao estresse da curva de juros. As NTN-Bs já oferecem taxas reais superiores a 8%, refletindo o aumento do prêmio de risco fiscal, a menor demanda dos compradores tradicionais e o desequilíbrio entre oferta e procura por títulos públicos. Para o investidor de longo prazo, esses retornos são historicamente atraentes, mas exigem horizonte adequado e tolerância à forte volatilidade no curto prazo. O calendário eleitoral tende a manter esse tema em evidência e a ampliar as oscilações ao longo dos próximos meses.
Lá fora, os mercados iniciaram a semana sob pressão, com a escalada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã impulsionando os preços do petróleo e ampliando a cautela entre os investidores. O S&P 500 recuou 0,2% e acumulou a terceira sessão consecutiva de perdas, enquanto o Dow Jones caiu 0,6% e o Nasdaq avançou 0,1%. As atenções agora se voltam para a temporada de resultados, com Alphabet, Tesla e Intel entre os principais destaques desta semana, seguidas por Meta, Amazon e Microsoft na próxima.
Até o momento, os resultados têm apresentado desempenho positivo: cerca de 88% das empresas do S&P 500 que divulgaram seus números superaram as expectativas. Já a agenda econômica será mais esvaziada, com destaque para os pedidos de auxílio-desemprego, os índices preliminares de gerentes de compras de julho e os dados de vendas de casas novas. Paralelamente, o Federal Reserve entrou em seu período de silêncio antes da reunião de política monetária marcada para os dias 28 e 29 de julho, que ainda deve preservar o patamar de juros no mesmo nível.
Ao mesmo tempo, Donald Trump intensificou a guerra comercial ao anunciar tarifas adicionais de 50% sobre uma ampla variedade de produtos canadenses, incluindo automóveis, bebidas alcoólicas, laticínios, móveis e outros bens, sem preservar integralmente os itens abrangidos pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. A medida, prevista para entrar em vigor em 30 dias, foi apresentada como uma resposta a práticas consideradas discriminatórias pelo governo americano, mas pode elevar rapidamente os preços ao consumidor e ampliar a incerteza para empresas e investidores.
Apesar disso, a reação inicial dos mercados foi moderada, indicando que os agentes ainda tratam parte dessas ameaças com cautela. Mesmo assim, o aumento da imprevisibilidade regulatória pode aprofundar a desaceleração dos investimentos nos Estados Unidos e ampliar os custos da estratégia tarifária.