Notícias

Trump e Irã: 39º acordo? Bitcoin trava com inflação

O cenário macroeconômico mudou pouco desde a última edição. O Bitcoin segue lateralizando, testando a faixa dos US$ 60 mil, considerada a região técnica mais importante deste ciclo, que foi defendida em…

Trump e Irã: 39º acordo? Bitcoin trava com inflação
Fonte: TradingView

O cenário macroeconômico mudou pouco desde a última edição. O Bitcoin segue lateralizando, testando a faixa dos US$ 60 mil, considerada a região técnica mais importante deste ciclo, que foi defendida em fevereiro e agora é colocada à prova novamente.

No curto prazo, a queda foi aliviada por dois fatores: um índice de preços ao consumidor (CPI) americano marginalmente melhor do que o esperado no núcleo, reduzindo parte da pressão sobre os juros, e uma nova declaração de Donald Trump de que um acordo de paz com o Irã estaria próximo. Essa declaração reacendeu a expectativa de normalização no Estreito de Ormuz e derrubou o preço do petróleo.

O alívio, no entanto, é frágil. Segundo levantamento da CNN, esta foi a 39ª vez que Trump afirmou que um acordo estaria próximo desde o início do conflito, e nenhuma das promessas anteriores se concretizou. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta do Federal Reserve (Fed), enquanto o Banco Central Europeu elevou os juros pela primeira vez desde 2023.

Macro e petróleo

O principal alívio para os mercados veio do petróleo. O Brent, referência internacional da commodity, voltou a recuar e forma fundos mais baixos. Esse movimento sugere que o mercado está retirando parte do prêmio geopolítico incorporado desde a escalada no Oriente Médio.

Apesar da ausência de um acordo formal, o cenário-base ainda parece ser o de uma resolução gradual do conflito. A expectativa de normalização do Estreito de Ormuz reduz o risco de um choque prolongado de energia, aliviando as expectativas de inflação e a pressão sobre os juros. Isso não elimina o risco geopolítico, mas ajuda a explicar por que o Bitcoin conseguiu defender a região dos US$ 60 mil.

O quadro inflacionário, porém, segue desconfortável. O CPI americano de maio veio marginalmente melhor no núcleo, mas componentes mais persistentes, como moradia e serviços médicos, seguem pressionados. Um dado isolado não resolve o problema, e o mercado continua convivendo com a expectativa de juros altos por mais tempo.

O Banco Central Europeu elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito para 2,25%, refletindo a inflação ainda acima da meta. O alívio recente melhora o ambiente de curto prazo, mas não muda o quadro principal de liquidez global pressionada.

Bitcoin e regulação

Para o Bitcoin, a mensagem principal é que ainda há espaço para repiques, mas não há confirmação de uma nova tendência de alta. O ativo segue na faixa dos US$ 60 mil, que funciona como ponto de defesa. Se esse nível for perdido, o próximo suporte relevante aparece próximo dos US$ 50 mil.

No front regulatório, o Clarity Act, legislação que moderniza a estrutura de ativos digitais nos Estados Unidos, travou em mais um impasse. Um grupo bipartidário tentou incluir uma provisão que permitiria procuradores-gerais estaduais processarem o Departamento de Justiça sobre normas éticas relacionadas aos negócios cripto do presidente Trump. Os republicanos recuaram, e a reunião terminou sem acordo.

Restam apenas 31 dias de sessão legislativa antes do recesso de agosto. Se o projeto não avançar até lá, corre o risco de ser engolido pela agenda do segundo semestre.