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Petróleo dispara, juros sobem e Selic perde espaço para cortes

O mercado financeiro global iniciou a semana em ambiente misto após a Espanha vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistar seu segundo título mundial. As bolsas americanas e…

Petróleo dispara, juros sobem e Selic perde espaço para cortes
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O mercado financeiro global iniciou a semana em ambiente misto após a Espanha vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistar seu segundo título mundial. As bolsas americanas e europeias ensaiam uma recuperação, enquanto a Ásia sofre forte pressão, especialmente nas ações de inteligência artificial e semicondutores. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 4,5%, e os papéis da Samsung Electronics e da SK Hynix caíram mais de 4%.

A principal fonte de risco continua no Oriente Médio. A continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã, a redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz e o Brent próximo de US$ 90 por barril pressionam as expectativas de inflação e juros. Os investidores também acompanham os próximos balanços de Alphabet, Tesla e IBM, além da reunião do Banco Central Europeu.

Copa do Mundo movimenta bilhões

A FIFA deve anunciar uma receita recorde de aproximadamente US$ 15 bilhões com a Copa do Mundo, bem acima da projeção inicial de US$ 11 bilhões. O valor foi impulsionado pela adoção de preços dinâmicos e pela participação da entidade nas vendas de ingressos no mercado secundário. O preço mediano de uma entrada para a final chegou a US$ 10.835, e as marcas investiram ao menos US$ 857 milhões em publicidade ao longo da competição.

Nos Estados Unidos, estima-se que o torneio tenha movimentado cerca de US$ 20 bilhões em atividade econômica, beneficiando bares, restaurantes e o comércio de produtos esportivos. As vendas de cerveja cresceram 4% em nível nacional e 14% nas cidades-sede. A plataforma de previsões Kalshi movimentou mais de US$ 1,2 bilhão em contratos relacionados ao campeão e conquistou 3 milhões de novos usuários.

Petróleo pressiona juros e reduz chance de corte da Selic

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira estável, aos 173.714 pontos, acumulando recuo de 2,33% na semana. A alta de quase 5% do petróleo sustentou as ações da Petrobras e limitou as perdas do índice. A nova disparada do Brent reacendeu as preocupações com inflação e juros, reduzindo o espaço para novos cortes da Selic e pressionando toda a curva de juros. O movimento foi agravado pelo desconforto com o cenário fiscal, após relatos de que a equipe econômica discutiu com investidores possíveis mudanças no arcabouço fiscal e na composição da dívida pública, sem apresentar medidas concretas.

Na política, o início das convenções partidárias intensifica as articulações regionais e expõe divisões internas. O governo enfrenta uma janela curta para avançar com sua agenda legislativa antes do esvaziamento de Brasília pelas campanhas eleitorais. As atenções se voltam para as falas de Gabriel Galípolo e para o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, que poderá trazer novas projeções fiscais e eventuais bloqueios no Orçamento.

Setor de tecnologia perde fôlego nos EUA

Nos Estados Unidos, o setor de tecnologia voltou a liderar as perdas em Wall Street na última sexta-feira. O Dow Jones recuou 0,8%, o S&P 500 caiu 1% e o Nasdaq perdeu 1,4%, com os três índices encerrando a semana no campo negativo. A pressão veio das fabricantes de chips, que se aproximaram de um mercado de baixa técnico, além dos resultados da Netflix e do lançamento do Kimi K3, da chinesa Moonshot AI.

No campo macro, o CPI de junho reduziu de 34% para 10% a probabilidade de uma alta de juros na próxima reunião do Federal Reserve. Embora a valorização do petróleo possa devolver pressões inflacionárias, os sinais subjacentes continuam favoráveis, com desaceleração dos custos de moradia e inflação de serviços contida. O consumo e a renda real seguem demonstrando resiliência, enquanto a temporada de balanços indica melhora entre os diferentes setores.

Escalada no Oriente Médio sem trégua

A escalada entre Estados Unidos e Irã prosseguiu sem sinais de trégua, com ataques e retaliações pelo sétimo dia consecutivo. Washington ampliou os bombardeios após a morte de três militares americanos, elevando para 17 o número de integrantes das Forças Armadas mortos desde o início da guerra. As operações passaram a atingir pontes, instalações de energia e áreas próximas à usina nuclear de Bushehr. Teerã respondeu com ataques a bases e aliados dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait, Jordânia e outros países do Golfo.

O conflito pressiona o mercado de energia. O tráfego pelo Estreito de Ormuz recuou ao menor nível em três semanas, enquanto o Brent superou US$ 85 por barril e acumula alta superior a 20% em julho. A redução das exportações do Golfo e o risco de interrupções elevam os preços do diesel e da gasolina nos Estados Unidos, recolocando a inflação no centro das atenções e fortalecendo apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve.